Fala Ferreira

Assim me saúdam os amigos de Guatemala.

A propósito da Grécia

A Europa está a ver-se grega com esta crise económica. Mas,  já lá dizia um artigo de gestão criativa (para empresas) que li, que às vezes devemos perguntar se o mau é mesmo mau e se não existem coisas boas numa má situação. Afinal, qual é o problema de um défice “excessivo”?

(Talvez devêssemos aqui evitar a palavra “excessivo” que não é neutra; define, por natureza, uma situação negativa. Para sermos mais exactos devemos perguntar: qual é o problema de um défice de 14% do PIB?)

Bom! O défice tem dois efeitos: 1) coloca mais dinheiro a circular que mercadorias, o que provoca inflação; 2) alguém tem de pagar por isso, seja através dos impostos (para pagar o crédito que o governo tem de adquirir para fazer face ao défice), seja porque com a inflação os salários e os investimentos já feitos perdem valor. Mas o défice tem também efeitos positivos: se o governo gastou a mais, alguém vendeu a mais, alguns empregos a mais foram criados na economia. Falta perguntar se o investimento necessário para satisfazer a procura a mais do governo fica ou vai desaparecer (ou foi feito no estrangeiro). A questão que se coloca é: o défice gerou um investimento suficiente para pagar – a médio prazo – o crédito que o governo grego vai necessitar de adquirir ou não?

Numa altura de crise, nenhum investidor privado quer investir. O governo deve promover o investimento, seja investindo directamente (só que a UE não deixa), seja através do seu défice. O problema é como provocar  bons investimentos.

—- E tudo isto não o disse eu, disse o Keynes.

Anúncios

18 de Abril de 2010 - Posted by | Economia | , ,

Sorry, the comment form is closed at this time.

%d bloggers like this: