Fala Ferreira

Assim me saúdam os amigos de Guatemala.

Morte e vida das classes

Já não acredito que o mundo se divide em classes. Ou melhor, nunca poderemos nunca dizer onde uma classe começa ou acaba. Se pudéssemos alinhar os homens, do mais pobre ao mais rico, verificávamos que os ricos pensam de uma maneira bem distinta dos pobres (como dizem os marxistas). Isso é um facto cientifico! O problema é onde por a faca; onde começa uma classe e acaba a outra. Uns falam em proletários e capitalistas; outros em classes baixas, classes médias e classes altas. Terá algum razão?

Apreender a desigualdade por meio de uma divisão da sociedade em classes – como faz o político e o senso comum – é um acto político. A divisão da sociedade em dois grupos torna-se revolucionária: os de baixo olham os de cima como parasitas. A divisão da sociedade em 3 grupos é reaccionária: como a virtude está no meio, todos os de baixo são incentivados a esforçarem-se (individualmente) para chegar ao grupo do meio. Neste caso, os parasitas de cima serão alvo de críticas mordazes, mas nunca de acções concretas.

Fica assim resolvido, para mim, o problema da relação entre o objectivo e o subjectivo. Objectivamente, as classes estão mortas, substituídas por uma leitura contínua da desigualdade. Subjectivamente, as classes estão bem vivas: as classificações simplificadores da realidade têm o poder de fazer revoluções ou acabar com elas!

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18 de Abril de 2010 - Posted by | Metodologia | ,

2 comentários

  1. Dá que pensar… Sem dúvida! E a interpretação da divisão da sociedade em 3 grupos é mto pertinente, até pq é por nós a mais usada… “Neste caso, os parasitas de cima serão alvo de críticas mordazes, mas nunca de acções concretas.” É por isso que assistimos impávidos e serenos ao saque do país…

    Comentar por Margarida | 18 de Abril de 2010

    • É bem pior do que isso. Mas o objectivo do post era de esclarecimento metodológico e não analítico. Outro dos efeitos da existência de uma classe média é a resistência ao discurso marxista. Conheço gente que quer ser classificada de classe média a toda a força; isto é, não quer ser classificada como proletária. Não ser os de baixo torna-se mais importante que criticar os de cima.

      Comentar por josferr | 18 de Abril de 2010


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