Fala Ferreira

Assim me saúdam os amigos de Guatemala.

Em defesa da democracia

Este post tornou-se obrigatório como resposta necessária à campanha contra o governo de Castro em Cuba. E difícil tomar uma posição do tema por tudo o que ela implica. Somente estarmos colocados perante uma opção entre um regime democrático a la Schumpeter e o regime cubano, me obriga a optar pelo regime cubano. Se fosse possível criticar o regime cubano sem abrir portas à democracia schumpeteriana, eu seria o primeiro a criticar o regime cubano. Mas como as decisões só se podem tomar entre as opções existentes, sou obrigado a apoia-lo.

Seria preciso demonstrar que a transformação do sistema cubano só se pode dar no sentido da concorrência partidária. E logo, no sentido de reduzir o debate de ideias à disputa entre pessoas (afinal, o que se entende por corrida eleitoral?); e no sentido da afastamento da maioria dos eleitores que não reconhecem as diferenças entre essas pessoas – o que se traduz na abstenção. E, também, no sentido de trazer para a política as grandes máquinas de publicidade só acessíveis a alguns partidos.

Seria preciso demonstrar também que a campanha contra o regime cubano só se contentaria com uma reforma do sistema económico. Como se deu na China, as campanhas pela democracia terminam assim que as barrigas gulosas dos grandes investidores estejam satisfeitas. Democratizar Cuba, significa, antes de mais nada, privatizar as universidades e taxar os serviços de saúde. Não estou a inventar; estou apenas a dizer que democratizar Cuba é aplicar as recomendações da Comissão Económica Para a América Latina (CEPAL), das Nações Unidas, e as recomendações são essas: privatizar o ensino, taxar a saúde, liberalizar a economia.

Por fim, seria preciso demonstrar o que se perderia no caminho. Perder-se-iam todas as conquistas em termos de inovação democrática que a América Latina tem conquistado. Ou será que se pode substituir o regime de Castro por uma inovação democrática no estilo do Orçamento Participativo de Porto Alegre? Ou das comunidades de base criadas por Chavez na Venezuela? Ou qualquer outra dessas inovações que encantam sociólogos e cientistas políticos, mas que são desdenhadas pelos órgãos oficiais?

Em suma, se Cuba tem de mudar – e tem – será sempre no sentido da inovação democrática e sempre contra a democracia formal. Sou contra qualquer campanha que não faça essa distinção!!!

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26 de Abril de 2010 - Posted by | Ideologia | , , ,

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