Fala Ferreira

Assim me saúdam os amigos de Guatemala.

Os PEC e os trabalhadores

Serão os sindicalistas e os partidos de esquerda capazes de empurrar uma solução para a crise? Uma opção de esquerda, cujo traço fundamental será inverter a relação entre a política e a economia. Se a direita afirma que perdeu o controlo sobre os mercados, a solução será recuperá-lo. Em França, na década de 1960, o governo chegou a deter 60% da actividade económica (Hobsbawn). Podemos retornar a essa época que, afinal, ficou conhecida pelos 30 anos gloriosos?

Os sinais são contraditórios. De toda a Europa chegam posições de força (ver aqui também) e de fraqueza. Em Portugal também. Enquanto a CGTP organiza uma manifestação com 300 mil pessoas (ver aqui também), Proença de Carvalho seguiu fiel ao seu partido. Ao mesmo tempo, o debate coloca-se à medida da direita. Face à dívida pública, discute-se cortar ou não nos salários, e a tributação das mais-valias passa em nota de rodapé. Pior ainda é o que se passa com o investimento público. A opção não se coloca mais entre investir e não investir, mas entre um mau investimento (o TGV) ou nenhum investimento.

Aos trabalhadores falta-lhe o essencial: capacidade de formação da opinião pública. O controlo que detêm sobre os aparelhos de dominação hegemónica (Gramsci), os meios de comunicação, não é sequer suficiente para unir os trabalhadores, para pensar em soluções alternativas aquelas propostas pelos empresários com ajuda de organizações como o FMI. Nesta luta desigual, será difícil não perder… com prejuízo para o desenvolvimento de Portugal.

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29 de Maio de 2010 - Posted by | Economia, Partidos | , , ,

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