Fala Ferreira

Assim me saúdam os amigos de Guatemala.

A dívida e o governo

Uma notícia que hoje saiu no Público chama atenção. Os dois candidatos à presidência do Banco Central Europeu criticaram a compra da dívida dos Estados. Sem entrar nas relações entre dívida pública, taxa de juro e crescimento económico que domino mal, gostaria de chamar a atenção para alguns pontos.

1) O actual nível de endividamento dos Estados deve-se, antes de tudo, à compra de bancos falidos há um ano atrás (e até mais recentemente; o governo espanhol acaba de injectar dinheiro em mais um banco). O senso comum, ao falar dos altos salários dos administradores de empresas do Estado e da má gestão do governo, que não deixam de ser preocupantes, não põe o dedo na ferida. Substitui o essencial pelo acessório.

2) Sem dúvida, pagar a dívida é um problema. Mas tem havido falta de lucidez como fazê-lo. O Nobel  da Economia de 2001, afirmou há dois dias que “impostos bem desenhados melhoram a eficiência económica, mas desenhados atrasam o crescimento“. Os bancos deveriam ser os primeiros a pagar impostos para fazer face à dívida, como está a acontecer em várias partes do mundo, mas não em Portugal.

3) Numa coisa tem insistido acertadamente o PCP: venderam-se as empresas, ficou a dívida.  Os lucros dessas empresas eram um fonte de receita mais segura e menos conflituosa que os impostos. Mas a gulosice dos investidores privados, com a protecção do PS, PSD e CDS, debilitou o Estado. Os trabalhadores não devem aceitar sacrifícios sem um plano do Estado para recuperar o controlo sobre  tecido industrial.

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31 de Maio de 2010 - Posted by | Economia, Partidos | ,

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