Fala Ferreira

Assim me saúdam os amigos de Guatemala.

A revolta dos políticos

Berlusconi, com a sua gafe, pôs o dedo na ferida: os políticos não têm controlo sobre os mercados. Ainda mais grave, os mercados, pela sua natureza fragmentada, parecem estar em toda a parte, o que é o mesmo que não estar em lado nenhum. Trata-se do vértice da crise económica mais escorregadio à análise. Por isso,  neste post quero apenas tomar nota de algumas questões cuja análise ainda não me é possível.

O governo norte-americano criou, em 2008, taxas especiais sobre os bancos para recuperar o dinheiro injectado no sector e um fundo para prever situações similares no futuro. O Banco Central Europeu, para limitar a especulação, está a comprar a dívida dos países em risco. A Alemanha vai proibir algumas formas de especulação na bolsa. O Fundo Monetário Internacional deve ter surpreendido o mundo – pelo menos eu fiquei – ao propor impostos sobre o sector financeiro. Bruxelas quer maior controlo sobre as agências de rating e melhorar a governabilidade financeira.

Que significa tudo isto? Significa, em primeiro lugar que a ideologia neoliberal está a apresentar fissuras. Essas fissuras são uma oportunidade de mudar a estratégia de desenvolvimento global. Mas não alimentemos demasiado o optimismo. Estas medidas são tímidas. Se os políticos parecem estar a revoltar-se contra os mercados, os mercados somem-se por detrás de um sistema fragmentado e deixam os políticos a lutar contra moinhos de vento. E finalmente, com alguma razão, países a quem a Europa e o os Estados Unidos não deram a mão quando estiveram na mesma situação, como o Brasil no final da década de 1980, recusam-se a apoiar agora os Estados Unidos e a Europa.

Os Estados parecem estar presos no dilema que colocava Olson na sua teoria da acção colectiva: o que pode fazer cada um é insuficiente para alterar alguma coisa. Por isso, ficam todos à espera quem alguém faça algo, e não há um que dê o primeiro passo.

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4 de Junho de 2010 - Posted by | Economia, Mundo | ,

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