Fala Ferreira

Assim me saúdam os amigos de Guatemala.

Não é economia, é política

Paul de Grauwe, apresentado como um dos maiores especialistas de economia monetária da Europa, deu hoje uma entrevista ao jornal Público. Ali afirma “a explosão da dívida privada foi durante a crise transferida para os governos. Agora, os governos são pressionados pelos mercados a fazer o contrário.” A dívida passa, como se de uma batata quente se trata-se, das mãos do privado para o público, e do público para o privado novamente.

A sua análise, bastante mais pertinente do que aquelas que acusam o governo de despesista, é ainda incompleta. Falta-lhe dizer quais interesses se escondem por detrás destas acções políticas. Porque é que o que não era problema há um ano atrás, o governo endividar-se, agora passou a sê-lo? Por outro lado, coloca-se outra questão por si só importante, mas que pode também ajudar a responder à primeira. Aqueles que o governo “salvou” há um ano são os mesmos que estão a pagar a dívida ao governo? Paul de Grauwe não quer ver que a passagem da dívida pelas mãos do governo e o regresso ao sector privado transformou a dívida: passou-a das mãos de uns para as mãos de outros, dos investidores financeiros para os trabalhadores da economia real. Não se trata só de economia, é sobretudo uma questão política.

Além disso ainda afirma

O que é que Portugal poderá fazer para recuperar a competitividade perdida desde a criação do euro? Reduzir os salários em 30 por cento, como afirma Paul Krugman?
Não acho que seja 30 por cento, mas entre 10 e 20 por cento, o que continua a ser muito, claro. Infelizmente, Portugal será forçado a corrigir isto durante muitos anos, não vejo alternativa. A menos que saia da zona euro, mas não tenho a certeza de que o queira fazer
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Esta questão já abordei aqui e aqui; mas ainda regressarei a ela neste blog.

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4 de Junho de 2010 - Posted by | Economia | ,

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