Fala Ferreira

Assim me saúdam os amigos de Guatemala.

E se exportassemos bicas?

Dois artigos publicados, ontem e hoje no Público, são, no seu conjunto ridículos. No primeiro se apresenta um estudo que leva a uma a óbvia conclusão de que as PME’s com negócios no estrangeiro suportam melhor a crise. O segundo, é um estudo português que afirma que se todas as PME’s portuguesas fossem inovadoras não havia crise. Nos dois falta a mesma informação: o que torna a empresa exportadora e inovadora?

Deixe-me colocar um exemplo ridículo. O café central da minha terra é uma PME, certo? Será que ele pode salvar-se da crise se começar a exportar bicas?

A maioria das PME estão em sectores intensivos em mão-de-obra, como a hotelaria e a construção civil, por isso são pouco aptas para a exportação. As pequenas empresas dependem, sobretudo do consumo interno e, por isso mesmo, vão ser as vítimas dos pactos de estabilidade. O aumento do desemprego e dos impostos, o congelamento dos salários e a redução das medidas de distribuição de riqueza (políticas sociais) levarão à diminuição do consumo interno, à falência destas empresas e ao desemprego dos seus trabalhadores.

Uma parte pequena dessas PMEs são empresas intensivas em conhecimento e são as que têm maior capacidade competitiva ao nível internacional. São as que têm  técnicos escassos, com competências técnicas raras, mesmo de um ponto de vista internacional. Mas esta fracção, por definição, é pequena. Ao contrário do que o artigo induz a pensar, estas PMEs nunca poderão vir a ser a maioria, porque o seu sucesso depende de que não o sejam.

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29 de Junho de 2010 - Posted by | Economia, Sociedade portuguesa | ,

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