Fala Ferreira

Assim me saúdam os amigos de Guatemala.

Vivo: eles falam, falam, falam…

O negócio da Vivo tornou-se a nova questão da política portuguesa. O único comentário que ela mereceu já o fiz aqui. A decisão de Sócrates em não vender a Vivo se fundamenta nas mesmas razões pela qual a Telefónica quis comprá-la. Merkel impôs ao G20 políticas que vão levar a uma redução do poder de compra dos países desenvolvidos. Então só podem crescer aquelas empresas que se expandirem para os países médios: os famosos BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) e os países produtores de petróleo.

Contudo, as reacções à atitude de Sócrates começam a tornar-se importantes. Elas podem levar a um reali- nhamento das forças políticas em Portugal e na Europa.

A primeira consequência é que, com esta decisão, Sócrates abre as portas para liderar uma oposição keynesiana à política neoliberal de Merkel. Se a decisão do Tribunal Europeu foi critica de Sócrates, o governo já disse que não a ia acatar. Aliás, esta atitude do governo vem no sentido do meu último post.

Mas criticar só não chega, é preciso criar uma rede de aliados para alterar a política da União Europeia. A coligação que se opôs a Merkel na última reunião do G20 – EUA, Brasil e Argentina – e os perdedores da crise na Europa – Espanha, Itália e Grécia – são os potenciais aliados. Mas tal aliança parece difícil. Portugal não está em posição de assumir a sua liderança. Depois, em termos imediatos, este problema opôs Portugal a Espanha, antes de opor os dois à Alemanha. E, finalmente, parece mais provável a Telefónica conseguir comprar a Vivo por outros meios, que Sócrates reunir estes esforços contra Merkel.

O segundo aspecto que merece ser comentado acerca de todo este assunto é a posição do PSD. Sem dizer com todas as letras que um governo PSD teria permitido a venda da Vivo à Telefónica, o PSD vai acusando o PS de mobilizar o nacionalismo dos portugueses para ganhar votos. Isto quer dizer várias coisas. 1) O PSD acredita que os portugueses apoiaram Sócrates na sua decisão. 2) O PSD está já em campanha eleitoral para as presidenciais e quer distinguir-se do governo. 3) Face aos dois pontos anteriores, o PSD não tem nada para dizer – mas conta com o apoio do DN para dizer qualquer coisa.

Aliás, devemos esperar para ver o que vai suceder nos próximos tempos. Pode ser que esta disputa entre Sócrates e Passos, obrigue Sócrates a ir para a esquerda. Já uma vez se prenunciou este cenário, mas foi pouco antes da UE obrigar os dois a sentarem-se para aprovar o PEC II.

Finalmente, o DN vai numa campanha em favor do mercado livre. É curioso estes jornalistas acreditarem em algo que nem os fundadores da economia neoclássica, como Pareto, acreditavam.

Anúncios

9 de Julho de 2010 - Posted by | Economia, Partidos | , , , ,

Sorry, the comment form is closed at this time.

%d bloggers like this: