Fala Ferreira

Assim me saúdam os amigos de Guatemala.

Rumo ao socialismo

Uma crítica, com barbas, ao socialismo é a seguinte: “é uma boa teoria, mas se há uma pessoa que discorde, vai tudo por água a baixo”. Nada mais falso. O socialismo, o capitalismo ou qualquer outro modelo de organização do Estado só funciona quando a maioria está de acordo com ele. Em Portugal 90% das pessoas estão de acordo com o capitalismo. Não estou a dizer que aceitem pacificamente aquilo que os especuladores fazem ou a crise actual. Mas aceitam os seus pilares básicos: uma economia baseada na propriedade e no investimento privado. Dizem mal do governo de turno, criticam as mesquinhices da política, mas são incapazes de ver que elas são resultado do formato em que  se leva a disputa.

Num país bastariam 70% da população estar de acordo com o socialismo para o socialismo ser possível. Os outros 30% seriam de grande ajuda. Os críticos alertam o governo de seus erros, sem quaisquer custos para o governo. O governo fica apenas com o ónus da correcção. Mas quando apenas 50% da população concorda com um modelo, a política se torna complexa. É um jogo de soma nula, em que o meio termo desaparece. Ou estás comigo ou contra mim. Quem está no governo, seja de socialista ou liberal, fecha os ouvidos às criticas. É que a sua posição é muito fraca para poder dar os sinais de fraqueza implicados na correcção necessária.

É por isso que pelo Equador, onde quase 80% da população votou em Correa, as coisas vão de vento em poupa, e na Venezuela é mais a parra que a uva.

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22 de Julho de 2010 - Posted by | Ideologia, Mundo | , , ,

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