Fala Ferreira

Assim me saúdam os amigos de Guatemala.

Silêncios do PT de Dilma

“A Dilma pode não ser o governo dos nossos sonhos; mas o Serra é certamente o governo dos nossos pesadelos”. Com esta frase se resume tudo o que há a dizer sobre a campanha eleitoral brasileira. Os candidatos disputam quem vai construir mais estradas, escolas técnicas e hospitais (pré-fabricados). É uma guerra de números que se esquiva ao debate de questões fundamentais do país. Logo, não é possível distinguir os candidatos senão pelos políticos da ditadura que ressuscitaram para apoiar José Serra. Somente por essa razão, a Dilma tem o voto de muita gente.

Os feitos do governo Lula são de fato notáveis. Em parte foi sorte. O preço internacional dos produtos agrícolas, que o Brasil exporta, subiram sustentadamente desde 2004. Devido ao crescimento económico da China; devido à alteração das políticas agrícolas nos EUA e na Europa; devido ao seu emprego (em particular do açúcar) na fabricação de combustíveis; e, finalmente, devido a alterações nos mecanismos de formação de preços de alguns produtos. Hoje o preço internacional da soja, do trigo e do milho dependem mais de jogos na bolsa do que da quantidade produzida naquele ano.

Em parte foi mérito. Se Lula teve sorte com a conjuntura económica internacional e com a herança (um Estado com as contas organizadas) que recebeu de Fernando Henrique Cardoso, teve o mérito de saber investir o dinheiro. Reunindo em torno de si os melhores especialistas do país, criou programas de distribuição de riqueza que representaram um combate à pobreza sem precedentes. Catorze novas universidades democratizaram o acesso a educação.  De fato o PT fez muito pelo país!

Mas como seria um governo PT à frente de um Brasil com dificuldades para exportar?

Isso é o que esperamos ver nos próximos quatro anos. A crise na Europa está a ter as suas consequências. As exportações desvalorizaram-se em 30% somente devido à alteração do cambio do real em relação ao dólar e ao euro. Com a redução do consumo nos países “desenvolvidos” o impacto nas exportações brasileiras será ainda maior. E, como todos as projecções apontam, espera-se no próximo ano uma nova recessão na europa.

Como irá Dilma (ou Serra) almofadar tal quebra de recursos?

Existe uma tendência maioritária – que coincide em parte com a base da candidatura de José Serra – que afirma que o governo deve tomar medidas para impedir a “valorização excessiva” do real. Percebo pouco de economia, mas que fazer quando o problema não está no Brasil? Será possível fazer outra coisa que não absorver parte do desastre económico da Europa?

A outra tendência, marginal, afirma que a solução está em estimular o consumo interno. Esta tem dificuldade em mostrar-se, mas fica a impressão que é liderada por pessoas ligadas ao governo de Lula (uma hipótese a confirmar). A redução da desigualdade interna é o meio para manter o crescimento económico. Aliás, como Merkel recomendou há meses atrás.

Entretanto as duas campanhas evitam falar sobre estes assuntos. É impossível saber o que esperar destes dois candidatos em relação a esta matéria.

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27 de Outubro de 2010 - Posted by | Brasil, Economia | , ,

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