Fala Ferreira

Assim me saúdam os amigos de Guatemala.

Falta Estado neste Orçamento

Um texto publicado no Minoria relativa fez-se escrever este post. O autor chama atenção de que a da taxa de juro da dívida pública – que está para economia capitalista como a febre para a saúde – voltou a subir: já passa largamente dos 39º (acrescento eu). Ele cita o Público, para quem, a causa agora foi que “os mercados” não acreditam no Orçamento. Quem disse que um mau orçamento é melhor que orçamento nenhum (de Alegre a Ferreira Leite, passando por Cavaco), no mínimo, enganou-se. A verdade é que mentiu, porque pessoas autorizadas já tinham mostrado o seu cepticismo.

O grande problema é que gerir um governo é diferente de gerir uma casa. Reduzir a despesa, o investimento público, leva à desaceleração da actividade económica e, decorrente disso, à redução da receita, isto é, dos impostos cobrados. Ou seja, é preso por ter cão, ou preso por não ter. Se gasta, não pode pagar a dívida porque gasta. Se não gasta não pode pagar a dívida porque não tem receita.

Entretanto, as grandes empresas Portuguesas, como o BES e a EDP, vão tendo sucesso com os seus investimentos no estrangeiro. Isto é, sem dúvida, uma prova que o governo deveria mexer na legislação sobre crédito e impostos responsabilizando credores pela crise e implicando as grandes empresas na sua solução. Mas ao contrário dos direitos dos trabalhadores, os direitos dos credores e das empresas são irrevogáveis.

Quando o calo aperta, a realidade dá razão ao Manifesto comunista: o Estado reduz-se ao comité de gestão dos interesses na burguesia. O Estado de bem estar social que caracterizou o séc. XX não se sentou na Assembleia da República para discutir este Orçamento.

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4 de Novembro de 2010 - Posted by | Economia, Portugal | , ,

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