Fala Ferreira

Assim me saúdam os amigos de Guatemala.

O último Papa

Alguém disse que somente é necessário demonstrar o valor de uma organização quando ela já perdeu o seu valor. O nobreza só é nobreza quando é inquestionável. O papado de Bento XVI, um intelectual católico, é o exemplo acabado de uma instituição que luta desesperadamente pelo seu lugar na sociedade.

A viragem do séc. XVIII para o séc. XIX foi péssimo para a igreja. Todos os países da Europa e da América Latina tiveram seus Mouzinho da Silveira que retiraram à igreja católica as bases de seu poder: suas terras e seu património, bem como lançaram-se a construir escolas. A secularização do conhecimento e da política começou aí. Enfim, para que os Estados nacionais se desenvolvessem e tornassem o que são hoje, foi necessário desembaraçar-se da tutela da Igreja Católica. E, contra a igreja, lançaram o conhecimento secular.

O século XX trouxe uma trégua nesta luta. A igreja, de repente, ganhou um novo papel na sociedade: o combate ao comunismo. O papado de João Paulo II esteve ao serviço de interesses claros e foi claramente apoiado por esses interesses. Na América Latina, a teologia da libertação impediu a igreja de cumprir o papel que lhe era exigido pelos Estados então dominantes. E daí se explica a grande proliferação de igrejas protestantes e neopentacostais no continente, inicialmente com o financiamento de fundações sediadas nos Estados Unidos da América.

Com a queda do Muro de Berlim, o polaco Karol Józef Wojtyła deixou ao alemão Joseph Ratzinger uma instituição perdida no seu papel no mundo. Ameaçada de um lado pela secularização, do outro pelas pequenas igrejas protestantes e neopentacostais. Se um milagre não acontecer, o filósofo alemão poderá ser o último Papa a ter vez e voz na política mundial.

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7 de Novembro de 2010 - Posted by | Igreja Católica | , ,

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