Fala Ferreira

Assim me saúdam os amigos de Guatemala.

Notas sobre o G20

A reunião dos G20, em Seul no passado sábado, foi mais uma vez um fracasso. Não existiu qualquer entendimento entre as grandes potências ali presentes e o “cada um por si” liderado pelos Estados Unidos da América parece estar para continuar. Vejamos algumas notas.

Estados Unidos da América. Na reunião do início Junho do G20, os EUA tentaram convencer a Europa a iniciar uma “revolução keynesiana”, isto é, uma saída da crise pela via dos investimentos do Estado. Não tendo convencido os seus parceiros, este país começou uma estratégia unilateral: começou a emitir dólares para desvalorizar a sua moeda, tornar mais baratas as suas exportações e mais caras as importações, dinamizando assim sua  economia doméstica e gerando, assim, emprego.

China. Foi, com a Alemanha, o principal opositor de um acordo global. Sendo um dos grandes beneficiários do momento com a globalização, não quis ajudar Obama. Não obstante, a economia chinesa está longe de ser uma economia de livre concorrência. Atrelou por decisão legal o yuan ao dólar. Cada tentativa americana de baixar o dólar fez baixar igualmente o yuan, com um duplo efeito: amorteceu o impacto da política do FED e, ao mesmo tempo, ficou favorecida face a outros países que viam a sua moeda valorizar face ao dólar.

Brasil. Este país entra no leque dos perdedores do G20. As medidas dos EUA e da China estão a levar a uma valorização da sua moeda e a dificultar as suas exportações. O seu ministro da economia ainda lançou umas críticas para provocar a discussão e tentar que os dois grandes se entendessem… mas não resultou.

Alemanha. A Alemanha e a sua criada União Europeia foram as grandes culpadas da falta de consenso há 6 meses. Beneficiada pela desvalorização do euro – devido às dificuldades económicas dos famosos PIGS – ela não só se associou à China há seis meses como, de facto, liderou esse ponto de vista. Isto tem resultado em algumas críticas internas na UE. Os países do sul sentem-se desamparados para resolver a sua crise, sem ajuda do país que fala em seu nome nos eventos internacionais para defender interesses que não são de toda a União, mas do país que efectivamente manda.

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19 de Novembro de 2010 - Posted by | Economia, Mundo | , , , ,

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