Fala Ferreira

Assim me saúdam os amigos de Guatemala.

Ambiguidades sobre a violência

Depois da entrada da polícia e do exército na Vila Cruzeiro e no Complexo do Alemão discute-se o que fazer. Pela minha parte, fico na ambiguidade de não poder deixar de subscrever as críticas ao modo como a polícia tem actuado, nem de dizer que nunca deveria ter entrado. Como afirmar que o polícia não tem o direito de julgar o criminoso, e portanto atirar sobre traficantes em fuga condenando-os à morte sem julgamento; que a política de segurança do Estado serve a interesses que não são os da segurança; e, ainda assim, não voltar atrás com o apoio à invasão do Complexo do Alemão?

Simplesmente porque a entrada da polícia senão é a entrada imediata do direito (incluído nele os direitos humanos), é pelo menos – o que já não é pouco – possibilidade de exigir que o direito entre. Uma curta pesquisa permite confirmá-lo:

Pacto: Pesquisas dizem que, depois da Lei Maria da Penha, aumentou o número de queixas. Como tem sido a demanda na Deam Legal – Rio?

Delegada:Em média, são 600 registros por mês nesta Deam. E cerca de três ou quatro prisões no mesmo período. Acredito que a informação sobre seus direitos tem estimulado as mulheres a procurarem as delegacias. (…) Mas, infelizmente, o que temos menos aqui é a procura de mulheres de comunidades.

Pacto: Qual seria o motivo dessa baixa procura de mulheres moradoras de favelas?

Delegada:Há mulheres moradoras de algumas comunidades que falam que não podem chegar com carro de polícia. Estas, às vezes, desistem de fazer o RO. Relatam para nós que, se chegar uma intimação, ela vai ser punida duas vezes, além de ser punida pelo agressor, ela também será punida pelo tráfico. Eles não querem a Polícia por perto por nenhum motivo. Acredito que este seja um forte motivo para que não tenha muitos casos de vítimas que moram em comunidades (ver fonte).
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3 de Dezembro de 2010 - Posted by | Brasil, Segurança Rio | , , ,

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