Fala Ferreira

Assim me saúdam os amigos de Guatemala.

À esquerda da inflação

Ainda continuo com dificuldades em achar análises económicas de esquerda. Para já, vale referir o blog Falando em justiça fiscal que tem apresentado boas críticas em matéria de impostos. De resto, ainda encontrei muito pouca coisa. Exceptua-se uma entrevista de Marcio Pochmann e um artigo sobre uma palestra de Mª da Conceição Tavares. O primeiro é o presidente do IPEA, a segunda falava numa conferência organizada por este instituto. A matriz de análise é keynesiana o que, desde logo, me faz olhar com reservas.

De todos os modos, a tónica do discurso é crítica às medidas do governo em aumentar o depósito compulsório (ver o meu último post). Trata-de de uma medida de contenção da inflação que para Mª da Conceição Tavares não resulta de um aumento da demanda, mas de um aumento dos preços em resultado da valorização do real. Então seria melhor fazer o contrario, tomar medidas de abaixamento da taxa de juros e, assim, tornar o Brasil menos interessante para os capitais estrangeiros cuja chegada são a principal causa de valorização do real.  De todos os modos, afirma a mesma, esses capitais são de natureza especulativa e não de investimento, o que pouco contribui para o desenvolvimento do país. Pelo meio, o abaixamento da taxa de juro ainda permitiria 1) acelerar o desenvolvimento económico do país e 2) reduzir a despesa do Estado com o serviço da dívida, já que os juros baixariam.

Contudo ainda me ficam algumas dúvidas. Não sei muito de economia, mas como pôde o PT ter dito em campanha que a classe média aumentou e agora a sua militante Mª da Conceição Tavares dizer que a inflação não se deve à demanda? Sobretudo, quando os sectores do imobiliário e do turismo alcançam vendas sem precedentes? É certo que em vez de reduzir da inflação pela demanda (aumento da taxa de juro que reduz a compra a crédito) o governo poderia ter optado por actuar na oferta (baixando a taxa de juro que aumenta o investimento e, consequentemente, a produção) – como afirmou Marcio Pochmann. No entanto, parece-me que o primeiro tem efeitos a curto prazo, e o segundo somente a médio. Temo que esta abordagem de “esquerda” seja mais favorável à classe média que à classe pobre.

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13 de Dezembro de 2010 - Posted by | Brasil, Economia | , ,

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