Fala Ferreira

Assim me saúdam os amigos de Guatemala.

A macroeconomia de Obama

Hoje, o site Economist publicou Um ano em gráficos. Um artigo bastante interessante, do qual me permiti “roubar” dois gráficos para comentar a iniciativa do Obama para fazer face à crise. No ano passado, ao contrário dos governos europeus, Obama continuou a endividar-se para ajudar a economia norteamericana. Inclusive, quando as bolsas se recusaram a sustentar mais créditos, a Reserva Federal simplesmente mandou imprimir mais notas.

Estas medidas têm um efeito positivo: desvalorizam o dólar face às outras moedas, o que ajuda as exportações e portanto favorece a criação de emprego – e por meio desta, o consumo interno e, enfim, o relançamento da economia. O gráfico da esquerda dá uma ideia do impacto das políticas do governo norte-americano. É certo que sendo o cambio com o yuan controlado pelo governo chinês, é uma má comparação. A taxa de cambio de facto (nominal) com o yuan pouco de alterou porque está presa às decisões do governo chinês. De qualquer modo a taxa de cambio “real” (sic) – que certamente foi estimada por um batalham de economistas interessados em que o governo chinês liberalize a taxa de cambio – dá-nos uma boa ideia da desvalorização do dólar. De facto, não merecia o adjectivo de real; mas tendo certamente sido calculada em função do comportamento do dólar face a outras moedas, é-nos útil nesta análise. Tenhamos presente que hoje o dólar vale um terço menos do que valia no inicio do ano, quando comparado com o real.

Não obstante, estas medidas costumam ser “comidas” pela inflação. O investimento do Estado, em momentos de crise, se não levar a um investimento dos privados aumentando a produção, simplesmente aumentam os preços. Mas como mostra o gráfico da direita, isso não aconteceu. A inflação dos Estados Unidos da América é relativamente baixa, mais baixa que a europeia. Obviamente, o investimento do Estado também é “comido” pelo facto de todo o mundo guardar dinheiro em dólares e uma parte desses dólares impressos pelo FED terem ido para a essas poupanças. Obviamente, a grande iniciativa de Obama, mandar imprimir 600 milhões de dólares, foi em Novembro passado, o último mês do gráfico.

Mas tudo isto demonstra que existem alternativas à opção europeia de roubar aos pobres para dar aos ricos.

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29 de Dezembro de 2010 - Posted by | Economia, Mundo | , ,

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