Fala Ferreira

Assim me saúdam os amigos de Guatemala.

O subtil desencontro entre o BCE e o FMI

Acabou a reunião do G20. Jean-Claude Trichet, presidente do Banco Central Europeu (BCE), e Dominique Strauss-Kahn, director do Fundo Monetário Internacional (FMI), falaram sobre Portugal. Podemos ver a mesma notícia aqui, aqui e aqui. Os títulos das notícias, nos três jornais, assentam nas declarações de Trichet: “Apelamos a todos os governos europeus, sem excepção, a aplicarem o plano [de austeridade] tão rigorosamente quanto possível”. (O colchete repete-se nos três jornais, o que demonstra que os jornalistas limitaram-se a comprar a informação na mesma agência noticiosa. E assim se vai a diversidade de pontos de vista tão fundamental à democracia).

Mas ao dar destaque a Trichet, os jornalistas não reparam nas declarações de Strauss-Kahn. Este manifestou (nenhum jornal o cita textualmente) que aumentar as taxas de crescimento é a melhor forma de reduzir a dívida pública do Estado. Repare-se nisto: poderá o governo aumentar as taxas de crescimento sem fazer despesa? É claro que não! O que o presidente do FMI está a dizer que apertar o cinto por apertar o cinto não resolve a crise. É preciso ter prioridades onde poupar e onde gastar. Mais, ele diz que é preciso gastar… bem. Só gastando bem, investindo para retirar ganhos, é que é possível reduzir a dívida nos próximos 10 anos.

Toda a gente tem discutido que o Estado deve cortar. Ninguém discute onde (excepto Medina Carreira que fala nas prestações sociais: na saúde, na educação e, especialmente, nas pensões de reforma). Mas ninguém discute onde se deve gastar. Isso obrigou o PCP e o BE a defenderem, há meses, o único e mau investimento que está em cima da mesa: o TGV. As declarações de Strauss-Kahn convidam-nos a um debate que não está feito: onde o Estado deve gastar?

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20 de Fevereiro de 2011 - Posted by | Economia, Portugal | , , ,

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