Fala Ferreira

Assim me saúdam os amigos de Guatemala.

A Europa e a crise

As conclusões da última reunião do G20 parecem indicar que não será encontrada uma solução global para a crise. Ela depende cada vez mais da acção dos Estados nacionais ou, até certo ponto, da Comissão Europeia.  Neste nível devemos estar atentos a uma disputa entre França e Alemanha, cuja dinâmica sempre estruturou a política da “comunidade”. Posto isto, convém assinar que, por uma estranha razão é mais fácil compreender o que se passa no “Mundo” do que o que se passa na “Europa”. Talvez porque me seja mais fácil consultar, na Internet, um jornal americano do que um alemão.

De qualquer modo, nada como a análise do cientista político brasileiro, José Luís Fiori, sobre a crise. O euro funcionou com base numa suposição falsa, a de ter a Alemanha como avalizadora do euro e, portanto, da dívida contraída pelos 16 países da zona euro. Nisto a crise norte-americana é distinta da europeia. Enquanto a crise do dólar é tratada de forma centralizada, como um problema de todos os Estados, a crise do euro é um problema de culpas fragmentadas. Não quero com isto afirmar que os alemães são os responsáveis pela crise da Europa do Sul. Mas não se explica o crescimento da dívida pública e privada em Portugal (ou da Grécia, da Irlanda e da Espanha) sem explicar a sua baixa taxa de juro a partir da sua adesão ao euro. Nem se pode entender a subida recente e repentina das taxas de juro sem levar em conta a recusa da Alemanha em ajudar imediatamente o seu parceiro grego. O que está aqui em questão é outros coisa. A que nível se irá resolver a crise: europeu ou nacional? Ou, por outras palavras, a política monetária é europeia ou nacional? Ou ainda, é possível e desejável suportar uma moeda única europeia? Afinal, como manter uma moeda que gera 16 dívidas públicas distintas é administrada por 16 bancos centrais, apoiados por um banco central fictício?

Mas os alemães parecem não estar dispostos a uma maior integração europeia cujo ónus será sobretudo sustentado por eles. As sucessivas derrotas da CDU em eleições passadas pode ser lidas como uma oposição aos compromissos que o governo tem assumido com os parceiros europeus. Em abono da verdade, é difícil saber se Merkel crê no que defende ou se está amarrada às pressões que os alemães lhe impõem por via eleitoral. (Além de ser verdade o facto de sempre que o euro cai devido a uma crise, as exportações alemãs sobem).

Do outro lado temos os franceses, com Sarkozy a opor-se a um presidente do BCE que se opôs à compra de dívida pública pelo BCE. A França, tão apagada no G20, parece afinal ter algo a dizer quando se trata da Europa.

A nomeação do novo director do BCE será um bom indicador da correlação de forças dos dois países.

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23 de Fevereiro de 2011 - Posted by | Economia, Europa | , , , ,

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