Fala Ferreira

Assim me saúdam os amigos de Guatemala.

Partidos na Geração à Rasca

Com os acontecimentos de ontem, tornou-se útil fazer um mapa de que interesses estão por detrás do movimento Geração à Rasca. É um mapa difícil de fazer, porque o faço desde o Rio de Janeiro: apoiado nas notícias, na leitura de blogs e em conversas via facebook de amigos.

Bloco de Esquerda: É possivelmente o partido mais envolvido no protesto. É difícil saber se os seus principais organizadores têm uma vinculação orgânica ao partido, mas pelo menos uma é militante do BE. Seja como for, a nível local, nas principais cidades, os militantes do BE empenharam-se na organização do protesto.

Partido Popular Monárquico, CDS/PP e outros movimentos de extrema direita: Foram os criadores da página no Facebook “1 milhão na Av. da Liberdade pela demissão de toda a classe política”. Defendem uma renovação do sistema que inclui o restauro da monarquia e outras medidas de conservadorismo radical.

Partido Socialista: Está oficialmente fora. Mas sabe-se que o PS está pulverizado depois da última campanha presidencial. Do seu seio saíram duas candidaturas, as de Alegre e de Nobre, sem apoio da direcção do partido. Esses grupos estão na organização do protesto que, por criticar igualmente todos os partidos, não põe em causa a sua filiação partidária.

Partido Social Democrata: Também não creio que o PSD está muito empenhado na manifestação. Mas existem divisões internas, entre um grupo que não está disposto a que o governo PS caía agora e outro que pede a demissão imediata de Sócrates. O primeiro grupo está na direcção do partido e, ou porque quer que o PS faça as despesas políticas da austeridade ou porque ainda não tem o apoio de uma boa fatia da elite económica portuguesa, não se apresenta como oposição clara. O outro envolveu-se na manifestação de 12 de Março como forma de abrir as portas ao seu partido.

Partido Comunista Português: Os seus militantes e quadros médios estão divididos. Uns apoiam a manifestação, outros a criticam e ridicularizam. A falta de uma decisão central e o culto do trabalho colectivo (a disciplina auto-imposta, se quiserem) levaram o partido a participar pouco manifestação. As declarações de Jerónimo de Sousa de hoje foram de encontro à vontade do primeiro grupo, no qual me encontro; o qual podem resultar num maior empenho dos militantes na organização do protesto.

As declarações de Jerónimo de Sousa foram uma saudável pedrada no charco. Tanto tornaram claro o envolvimento dos partidos que expus acima; como pôs a nu uma perigosa convergência de discursos entre pessoas com interesses antagónicos.

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7 de Março de 2011 - Posted by | Partidos, Sociedade portuguesa | , , , , ,

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