Fala Ferreira

Assim me saúdam os amigos de Guatemala.

Pedradas no charco

A 6 dias da manifestação da geração parva, continuo com medo da mistura que está por detrás dela. Bloquistas, monarcas e extrema-direita à cabeça; derrotados do PS e do PSD no esqueleto (como já comentei); e pessoas comuns, cheias de queixas mas verdadeiros analfabetos políticos, no músculo da manifestação. Se não fosse Marx a aconselhar a confiança nas massas, afirmando que a consciência política só se forja na derrota, estaria de costas voltadas para este processo. É perigoso. Uns temem a influência dos políticos; eu temo confluências perversas.

Duas pedradas no charco parecem ter obrigado as hostes a aprumarem-se. A primeira, as declarações do PCP de que apoia e participará na manifestação. A segunda, a vitória dos Homens da Luta no festival da canção. Os dois eventos dividiram os manifestantes segundo as suas intenções.

Independentemente de vinculações partidárias, os Homens da Luta recuperam uma linguagem (um conjunto de categorias de percepção, como gostam de dizer os antropólogos) do marxismo. Fazem-no como paródia; mas ao fazê-lo reproduzem modos de perceber a realidade que são amplificadas pelos meios de comunicação e se tornam propriedade do comum dos mortais.

Este esquema de percepção potencia o que em outro lado chamei de keynesianismo radical (o discurso dos partidos à esquerda do PS), a despeito do projecto moralista que iniciou esta convulsão social. Criam também o chão para que os discursos do PCP, até agora considerados ultrapassados, voltem a ser escutados pela população portuguesa. (Nem por acaso, a bandeiro do grupo é inspirada na do PCP).

Uma terceira pedrada no charco era ouvir os Deolinda a cantar isto.

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7 de Março de 2011 - Posted by | Ideologia, Sociedade portuguesa | , ,

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