Fala Ferreira

Assim me saúdam os amigos de Guatemala.

Crise instalada

O anuncio atabalhoado do PEC 4 fazia-o prever; as declarações de Passos Coelho, ontem à noite, tornaram-no definitivo. Uma crise política está instalada. Este governo não terá muita duração. (Talvez me equivoque neste aspeto: mas parece-me que o PEC 4 é um produto apressado da reunião de Sócrates com Merkel no passado dia 12, destinado a reforçar a posição de Portugal na Cimeira da Europa que começa quinta-feira, dia 24).  Mário Soares já veio pôr o dedo na ferida: Com que autoridade, para negociar vantagens para Portugal, se irá apresentar em Bruxelas o primeiro-ministro português?

Existem fatores não discutidos que vão ser chave nestes dias. Em primeiro lugar é a situação do PSD. Continuo a crer que o PSD ainda não conseguiu arregimentar as forças suficientes em torno do seu líder. Mas por outro lado, aquelas que estão do seu lado tem pressa em ser governo. Com isto quero dizer que a elite económica me parece dividida. Os comentários mais recentes, um banqueiro influente como Ricardo Salgado do BES continuava com um discurso próximo de Sócrates. Não obstante, outros empresários, como Soares dos Santos da Jerónimo Martins não se isentaram que colidir com Sócrates quando Passos Coelho não deu conta do recado. Isto é, se um pressionam o PSD  para tomar conta do governo há mais de um ano, outros ainda seguram o governo. Se se abrirem esta semana eleições, vamos contar com duas máquinas de propaganda muito fortes, financeiramente bem oleadas, sem que, pela primeira vez, um seja vitorioso à partida.

O cenário alternativo é uma demissão do governo sem dissolução da Assembleia da República. O aparecimento de um governo liderado oficialmente pelo PS (neste caso sem Sócrates), mas oficiosamente pelo PSD com apoio do CDS-PP. Parece ser esta uma solução que passa pela cabeça do Mário Soares no ser artigo de opinião. Também é algo que não dista do que está escrito no documento que o PSD publicou ontem no seu site. Aliás, publicado em inglês para leitura daqueles que dia 25 se reunirão em Berlim. Neste caso compete ao Presidente da República, Cavaco Silva, preparar as condições para que tal aconteça. O PEC 4 é um programa de governo que, como diz acertadamente Honório Novo, não desagradaria aos dois partidos de centro. Talvez Portas não goste do plano, mas gosta bastante de governar e o aceitará.

O terceiro cenário é arrastar a crise política. Mais uma troca de insultos, mas nada aconteça de concreto. É José Sócrates negociar com os parceiros europeus sem saber bem o quê, e prometer-lhes um plano de estabilidade que não vai ser aprovado quando chegar a casa…

De qualquer modo, a crise económica aliou-se a uma crise política sem precedentes. O barco ía-se a afundar e agora perdeu, de vez, o capitão. A solução dela até dia quinta-feira, antes da reunião em Berlim (o que exclui o terceiro cenário), é imprescindível para que Portugal tenha alguma credibilidade na reunião do Concelho Europeu.

Tudo isto me leva a uma pergunta: Qual o papel da Geração à Rasca em cada um destes cenários? Sairá de uma cena totalmente ocupada por uma campanha eleitoral? Ficará ainda mais afastada do poder com uma grande coligação de governo orquestrada por Cavaco Silva? Ou saberá apontar as baterias à austeridade e ao desemprego não se deixando iludir pela troca do piloto do navio?

Eu próprio já caí nessa ilusão e dediquei todo este post a essa dança de cadeiras.

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22 de Março de 2011 - Posted by | Partidos, Portugal | , , , , , ,

1 Comentário

  1. Folgo-te por isso! Eu já me desiludi!… Eu q nada sei, sinto-me sem forças para deitar ao chão, aquele que vive sem água à volta, que está em terra como uma carcaça seca e indestrutível, um barco gigante, um navio como o dos cruzeiros, cheio de luzes brilhantes q piscam à noite, cujo casco brilha durante o dia com um azul mais intenso que o mar e o céu!
    Um barco q bufa luxo, bofeja luxúria e boceja ócio!
    Eu q nada entendo disto, sinto-me a naufragar nesta miscelânia de conceitos económicos, palavras caras, Pecs, e etcs. Eu q nada entendo disto, sinto-me a pulsar por dentro para agir e de nada de mim sai, por que me falam em linguagem democrática de conceitos caducos – de organização política, vestida de económica. Eu q aprecio a democracia pelo respeito à diferença e ao ser, nada vejo de diferente a acontecer naqueles que tão virgens da vida política podiam começar a falar outra língua – dentro da democracia. Mas os velhos contaminam, e estes conceitos minam pela antiguidade o que se quer fazer de novo. Como nada sabe, os espaertalhões fazem-se por não saber! Como nada sabemos, curiosamente aprendemos. E venceremos? Sim, vou crer nisso. Com ilusão? espero q não! … mas ela existe na esperança de tudo isto mudar! (sim!)

    Comentar por sara | 22 de Março de 2011


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