Fala Ferreira

Assim me saúdam os amigos de Guatemala.

A nossa culpa na crise

Embora muita gente discorde, acho que não conhecer as diferenças entre os partidos é a cota-parte de responsabilidade dos cidadãos na crise. Estou longe de querer argumentar que o meu partido é diferente de todos os outros. Quero dizer que os partidos são todos diferentes. O PCP é diferente do BE; o PS é diferente do PSD; o Sócrates é diferente de Manuel Alegre; Passos Coelho é distinto de Cavaco Silva. Às vezes é difícil reparar nestas diferenças: eu tenho muita dificuldade em distinguir o PSD do CDS/PP. Mas considero que isso é um problema de ser de esquerda. Vejo-os de longe e eles estão próximos que não se distinguem. Temo que, pela mesma razão um militante do PSD não distinga o PCP do BE. E certamente, quem se abstém, quem está afastado da política, pelas mesmas razões, não vê diferença nenhuma entre os partidos políticos. Já brinquei com isso aqui.

A discussão em torno da revisão constitucional foi um caso exemplar. Foi resumido a uma briga entre crianças. Ficamos pelo quem ganha. O que fez o PSD propor uma revisão constitucional e o PS opor-se a ela? Será que não haviam interesses em causa? Mais recentemente, os cinco partidos de oposição – PCP, PEV, BE, PSD e CDS/PP – votaram contra o PEC IV. Alguém acredita que foi pelas mesmas razões?

Não entender o que distingue os partidos e os políticos é não saber o que está em discussão. Então como tomamos decisões? Como votamos? Por aquilo que um abençoado comentador político diz na televisão?

Sabemos que os partidos não nos vão facilitar o trabalho. Dizer o que está em causa é dizer quem ganha e quem perde com as suas medidas. E dizer quem perde… é perder votos. A comunicação social tampouco ajudará. Sendo impossível ser isento, o jornalista acaba por ter de optar pelo ponto de vista dos perdedores ou do beneficiários de esta ou aquela medida de governo. Em qualquer dos casos vai perder audiência. Assim que ao político e ao jornalista sobre uma alternativa: transformar o debate num jogo de retórica para ver quem ganha e quem perde. É quase uma partida de futebol, como jogadores (políticos), comentadores (jornalistas) e espetadores (eleitores).

Assim, compete-nos a nós furar este bloqueio e tentar saber o que está realmente em causa. Ou redobramos a nossa atenção para perceber o que divide os políticos, que interesses se escondem por detrás da sua retórica, quem perde e quem ganha com os suas medidas, ou deixamos que o lobby e o compadrio governe à vontade. Já  tinha chamado atenção para este assunto. Aliás, o método do blog foi criado para furar este bloqueio.

João Nogueira Santos expôs isto de outra perspetiva.

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30 de Março de 2011 - Posted by | Ideologia, Partidos | , ,

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