Fala Ferreira

Assim me saúdam os amigos de Guatemala.

Para uma análise do programa de ajuste estrutural

Quando olho as medidas do ajuste estrutural imposto a Portugal, regresso sempre a Schumpeter e a Keynes. De forma muito simplificada, o rendimento de uma sociedade num momento é igual há sua produção (Pn = Rn). E se sabe também que os empresários só irão produzir o que esperam vender (Cn = Pn). Se supusermos que o consumo de um momento é igual ao rendimento previamente obtido (Rn = Cn+1) então não há crescimento, porque Pn = Rn = Cn+1 =
= Pn+1. Logo, Pn = Pn+1, isto é, a produção de um ciclo produtivo é igual à de todos os ciclos. Para haver crescimento económico é preciso que o consumo de um determinado momento seja maior que o rendimento obtido previamente
(Rn > Cn+1).

Mas de onde vem o dinheiro que está na base desta diferença? Sem dúvida, a bolsa e o sistema bancário têm um papel fundamental nas economias modernas ao criarem, pela especulação, uma riqueza fictícia que alavanca o crescimento económico. Não obstante, tal ficção, por vezes torna-se insustentável. Eu escutei dizer que, em 2008, antes de crise económica, os valores das transações em bolsa (riqueza fictícia) eram três vezes maiores que os valores envolvidos nas transações comerciais (riqueza real). Nesses momentos, deixa-se de acreditar na riqueza fictícia. Os especuladores têm medo de especular e uma boa parte da riqueza fictícia é destruída. Pelo meio leva à destruição de uma parte considerável da riqueza real.

As crises económicas são isto mesmo: uma destruição de poder de compra e, por arrasto, de uma parte produção. A questão está em quem perde mais. Só de forma naïfe se pode achar que esta redução do poder de compra respeitará equilíbrios anteriores, ou terá em consideração os mais fracos. Ele é feito em disputa: uma guerra aberta entre diferentes setores sociais para ver quem perde menos. É nestas situações que, apesar das suas imprecisões, pensar em termos de classes se torna tão útil e produz análises tão interessantes.

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7 de Maio de 2011 - Posted by | Economia, Portugal | , ,

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