Fala Ferreira

Assim me saúdam os amigos de Guatemala.

Sondagens e eleições

Não sei se é por me ter tornado frequentador assíduo do Margens de Erro, parece-me que as sondagens influenciaram muito esta campanha eleitoral. Mas, a partir daí, cheguei a este texto de Paulo Morais. Para eles existem três efeitos das sondagens sobre os eleitores:

  • bandwagon, a vontade que querer estar entre os vencedores reforça o voto no partido que vai à frente.
  • underdog, um certo desejo (pena?) de reequilibrar as contas que leva as pessoas a votarem no partido que vai atrás.
  • momentum, produto do ânimo dado pela ascensão do partido em relação à última sondagem (independente da sua posição).

Supostamente, os efeitos se auto-anulam e as sondagens, regra geral, não têm nenhum efeito sobre o resultados eleitorais. É claro que isto muda de situação para situação. Mas, a verdade é que, segundo um estudo comentado no Margens de Erro, pouco se sabe sobre como as sondagens afetam o resultado eleitoral. O pouco texto que é partilhado pela Pedro Magalhães leva a crer, em primeiro lugar, o erro está na forma como se coloca a questão. Mas, eu temo que a epistemologia da ciência política seja a menos adequada para resolver o problema. Buscando sempre a verificação estatística para os seus dados, os cientistas políticos tendem a retalhar os seus objetos.

Aqueles termos apresentados acima (bandwagon, underdog e momentum) expressam bem o que está em causa. Eles supõem que os resultados são lidos pelos eleitores sem qualquer mediação. Eles assumem que o único fator que influencia a forma como os eleitores leem os resultados são as preferências pessoais anteriores dos eleitores. Esquecem que existem pessoas a disputar o modo como esses eleitores devem ler esses resultados: os comentadores políticos e os políticos propriamente ditos.

Mas isso irá para o próximo post…

Anúncios

6 de Junho de 2011 - Posted by | Metodologia | , ,

Sorry, the comment form is closed at this time.

%d bloggers like this: