Fala Ferreira

Assim me saúdam os amigos de Guatemala.

O governo de Passos

Acabo de conhecer o novo governo de Portugal. Como se esperava, é um governo com uma forte tónica neoliberal. O que é surpreendente é o modo como isso fica tão claro. Começo pelo óbvio: o desaparecimento do Ministério da Cultura. Parece que o nosso Primeiro-Ministro olha para a cultura como um desperdício de dinheiro.  Mas há mais.

A seleção do Ministro das Finanças é deveras surpreendente. Obviamente, foi uma segunda opção. De qualquer modo, um académico sem qualquer experiência política faz prever uma falta de competência – como dizem os americanos – para sair da caixa (out of the box) da ideologia que lhe é dada pela sua formação. Prevejo uma falta de capacidade de diálogo neste ministro. Mas também não é de prever que tenha de fazer tantos golpes de rins como o seu antecessor.

Expectável, embora significativo, é a divisão do Ministério do Trabalho e da Segurança Social em dois. O trabalho que integra, de forma subordinada, o Ministério da Economia. E a Segurança Social é agora estabelecida em ministério dedicado chamado de Ministério da Solidariedade e Segurança Social. Esta mudança, que tem o precedente da anterior coligação PSD/CDS-PP, tem dois significados. Em primeiro lugar, as questões de legislação laboral são institucionalmente – já o eram na prática – subordinadas ao crescimento económico. Em segundo lugar, a segurança social perde qualquer vínculo com o  trabalho, passando este arranjo institucional a indicar que se trocou a justiça social pela claridade.

Alguém me consegue explicar para que quer Paulo Portas o Ministério dos Negócios Estrangeiros?

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18 de Junho de 2011 - Posted by | Ideologia, Partidos, Portugal | , , ,

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