Fala Ferreira

Assim me saúdam os amigos de Guatemala.

Hermes, as agências de notação

Com a classificação da dívida soberana de Portugal como lixo, multiplicam-se os protestos contra as Agências de Notação. De Barroso a Cavaco, do Presidente da CGD ao Diretor da UNCTAD, do governo português ao governo alemão. Volta a falar-se na petição pública pela regulação das Agências de Notação.

Para tudo isto, uma palavra: patético. As Agências de Notação são empresas que vendem um serviço aos credores. Elas transformam as preocupações dos credores numa escala que classifica os devedores. Surgiram na viragem do séc. XIX para o XX, nos EUA, como departamentos das associações de empresas, com o objetivo de ajudar as empresas a saber em quem podiam confiar um empréstimo e em quem não. As ditas agências partem das expectativas dos credores para transformar os devedores em uma letra. Quando os bancos fazem depender as suas ações dessas agências, isto não demonstra o poder delas, mas a confiança que os bancos têm nelas.

Hoje exige-se que os governo regulem a forma como as Agências de Notação calculam o risco da dívida. A pergunta que fica é a seguinte: será que, uma vez reguladas, os especuladores vão continuar a confiar nessas agências? Ou, pelo contrário, encontrarão outros mecanismos para chegar ao mesmo resultado – ganharem milhões com a especulação?

Regular as Agências de Notação é matar o mensageiro pela má notícia.

O que é preciso é reorganizar todo o sistema de crédito. Isso passa, a meu ver, por um aumento da participação pública no sistema bancário e, mais urgentemente, embora menos importante, pela renegociação da dívida. O que é preciso, enfim, é enfrentar os especuladores pelos cornos.

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6 de Julho de 2011 - Posted by | Economia, Europa | , ,

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