Fala Ferreira

Assim me saúdam os amigos de Guatemala.

A Europa

Ontem reuniram-se os líderes dos governos da Europa em Bruxelas e os mercados gostaram. Ante o risco de contágio da crise à Espanha e à Itália, cuja economia é demasiado grande para poder ser ajudada, Merkel resolveu ceder e 1) avalizar a dívida grega com fundos europeus; 2) renegociar a dívida grega, baixando juros e alargando o prazo de pagamento; e  3) retirar os 2% de juros de castigo do empréstimo a Portugal e Irlanda. (Um resumo sobre o apoia à Grécia pode ser lido aqui)

A edição do Público de ontem (21/07)  – que agora leio na PressDisplay (recomendo) – trazia algumas novidades que faziam falta. Uma, desconhecida, foi revelada pelos stress tests ao sistema bancário europeu: a dívida pública dos Estados em crise está a migrar dos bancos alemães e franceses para os bancos nacionais e BCE. Uma segunda “novidade”, que até então era considerada paleio da esquerda radical, foi que com juros tão elevados, a Alemanha e a França estavam a ser as principais beneficiadas das “ajudas” que deram à Grécia, Irlanda e Portugal.

Com estas medidas, o sistema bancário europeu parece ter ganho estabilidade e parece ter deixado de ser um convite à especulação. À medida que a dívida dos Estados se nacionaliza ou migra para o BCE, também será mais fácil de gerir por parte dos parte dos governos. Resta, contudo, assinalar que ganha a batalha, falta ganhar a guerra. A estabilidade conseguida para o sistema bancário europeu, e o estancamento do contágio da crise grega a Itália e Espanha, não resolve o problema do sobre-endividamento dos Estados, das empresas e das famílias, o problema do desemprego e, aquele que está na base destes dois, do baixo crescimento económico.

Há dias uma jornalista brasileira caracterizava muito bem a crise europeia. “A zona do euro poderia ser associada à Arca de Noé: a moeda é a arca e os bichos são os 17 países que formam a União Monetária Europeia (UME). Falta encontrar o Noé – ou Noés – que possa guiar a arca para porto seguro, salvando-a do Grande Dilúvio.” Talvez tenha aparecido agora o Noé; falta saber se o rumo conduz a porto seguro. Mas isso ficará para outro post.

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22 de Julho de 2011 - Posted by | Economia, Europa | , , , ,

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