Fala Ferreira

Assim me saúdam os amigos de Guatemala.

Ricas contribuições

Ultimamente tem vindo a público várias notícias acerca de um súbito vontade dos muito ricos pagar impostos. O primeiro foi o multimilionário Warren Buffett que afirmou “parem de mimar os ricos“. Depois foram os empresários mais ricos franceses que afirmaram desejar pagar mais impostos. Enquanto isso, 40 grandes empresários doaram parte das suas fortunas à caridade. E, em Portugal, a imprensa divulgou com pompa e circunstância os fatos.

De boas intenções está o inferno cheio! E a poeira ainda não assentou para que seja possível entender o fenómeno. De qualquer modo, para esclarecer as coisas basta pensarmos que desde a última crise (a de 1929) o crescimento económico foi puxado pela construção civil, isto é, em numa aliança tripartida entre Banca, Construtores Civis e Estado que passava pelas obras públicas e aquisição de casa própria a crédito. Sem a possibilidade do Estado se endividar, este modelo não se pode manter. É óbvio que existe aqui o peso das tradições – como a tradição de mecenato norte-americana. A ética e os interesses, portanto, se confundem.

Por outro lado, estas decisões também assinalam o fracasso da alternativa para promover o crescimento económico, anunciada por Merkel e Barroso há cerca de um ano. Os exportadores, não obstante do seu crescimento recente, não conseguiram torna-se o motor da economia, nem, portanto, ocupar o lugar dos construtores civis na aliança tripartida comentada acima. Nem, por essa via, dispensar o endividamento do Estado como motor da economia. (E isto é tão válido para os EUA e França onde os empresários tomaram aquelas atitudes, como para Portugal onde os jornais se apressaram em noticiá-las).

Estas últimas considerações levam-me a crer que nem todos os empresários estão disponíveis para ajudar os seus países a sair da  crise. O exportadores seguramente não estarão. Igualmente, países que conseguiram converter a sua economia a um modelo assente na exportação – como a  Alemanha – , também não estarão interessados em acompanhar esta moda. Não é que não tenham capacidade de fazê-lo; simplesmente não quererão contribuir para a manutenção de um modelo que os relega para segundo plano. E chegam mesmo a considerar que nem são ricos!!!

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23 de Agosto de 2011 - Posted by | Economia, Mundo | , ,

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