Fala Ferreira

Assim me saúdam os amigos de Guatemala.

Retomar a luta

Para amanhã está marcado o protesto dos professores indignados. Uma semana depois será o dos artistas indignados. O resultado quantitativo (em número de participantes) e qualitativo (do impacto na comunicação social) depende o sucesso do 15 de Outubro. Ótimo era ver outros indignados, assim por setores (comerciantes indignados; pedreiros indignados; utentes da saúde indignados; estudantes indignados…), a manifestarem-se antes ainda da grande manifestação conjunta.

De qualquer modo, fiz este texto  a pensar em tecer algumas considerações sobre do 15 de Outubro. Quando o comparamos com o 12 de Março, entendemos melhor a força deste por oposição à fraqueza daquele. Primeiro, o 12 de Março tinha um alvo mais claro que o 15 de outubro (José Sócrates), embora as coisas pareçam estar a mudar. Segundo, a tensão entre dois discursos (um contra os políticos, outro contra a precariedade laboral) no 12 de Março não ficou óbvia senão com a queda de Sócrates. Pode dizer-se que esse conflito não se coloca em Portugal com a mesma força que na Grécia. Mas basta-nos perguntar “o PCP e o BE devem participar na manifestação?” para dar-nos conta que essa tensão está presente em Portugal. Terceiro, o convocar protestos com o facebook deixou de ser uma novidade e, portanto, será mais difícil chegar à comunicação social.  Quarto, a disputa dentro da elite portuguesa está mais ou menos resolvida e, portanto, o governo atual encontra-se numa posição mais sólida que o governo de então.

Mas existe um quinto fator que é para o qual eu gostava de chamar a atenção. Os pessoas mais próximas do PCP, do BE e da CGTP estão a lavar as mãos da organização de uma manifestação que será um fracasso se comparada ao 12 de Março. Eles se justificam com o recuo do discurso, comparando-o com aquele que se ouvia três ou quatro dias antes do 12 de Março. As críticas contra os partidos ganharam terreno sobre as críticas contra a precariedade laboral. Mas ao fazê-lo contribuem ainda mais para o fracasso da manifestação. E contribuem igualmente, pela sua ausência, para o recuo ideológico do movimento. Isto tudo num momento em que a luta é tão necessária.

Ainda assim, o discurso atual  é muito melhor que aquele que se ouvia em fevereiro, quando se começava a falar de manifestações. De modo que não é desculpa!!! Já dizia Lénine

Os revolucionários devem atuar nos sindicatos reacionários? Os “esquerdistas” alemães acham que podem responder a essa pergunta com uma negativa absoluta. (…) E é essa, precisamente, a tolice cometida pelos comunistas alemães “de esquerda”, que deduzem do caráter reacionário e contra-revolucionário dos chefetes dos sindicatos que é necessário … sair dos sindicatos!!., renunciar ao trabalho neles!! (…) Não atuar dentro dos sindicatos reacionários significa abandonar as massas operárias insuficientemente desenvolvidas ou atrasadas à influência dos líderes reacionários, dos agentes da burguesia, dos operários aristocratas ou operários aburguesados (fonte).

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9 de Setembro de 2011 - Posted by | Portugal, Sociedade portuguesa | , ,

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