Fala Ferreira

Assim me saúdam os amigos de Guatemala.

15o, segundo comentário: a CGTP

Depois do sucesso da manifestação internacional de 15 de Outubro (ver aqui também), não posso deixar de tecer alguns comentários.

(ver 15o, primeiro comentário: o PCP)

2. Na véspera da manifestação de 15 de Outubro, escrevi algures no facebook, que o 12 de Março não pode estar para o protesto social em Portugal como o nascimento de Jesus Cristo para o calendário. Por outro lado, para muita gente ele está: estes não conhecem a luta política – e a política de modo geral – anterior a 2011.

A questão não está, claro, em dizer aos promotores e, sobretudo, aos participantes do Movimento 12 de Março (M12) que não inventaram a roda. Está, pelo contrário, em “descobrir” para quem a luta tem barbas, para quem começou ontem e para quem ela ainda não existe. Se, em alguma coisa indignados e sindicatos devem colaborar,  é em fazer que aqueles que uns e outros mobilizem saiam juntos à rua. Já abordei este tema aqui.

a ) O primeiro grupo – mobilizado pelos sindicatos – é construído por dois sectores. O primeiro é o sector dos transportes: TAP, Carris, CP… Este sector ocupa uma verdadeira posição estratégica . Uma greve dos transportes provoca um impacto social e económico que outro sector não consegue provocar. O segundo é a função pública, em particular a STAL e a FENPROF. Por este lado, mais importante que a posição estratégica é a possibilidade de fazer greve sem, com isso, serem prejudicados na carreira – como acontece, na maioria dos casos, no sector privado.

b ) O segundo grupo – mobilizado pelo M12M – são os licenciados sem emprego ou com empregos precários. São jovens que, com um curso superior, em face de uma economia que aposta nos baixos salários, encontravam emprego como professor. Com a redução abrupta do Estado, eles ficam condenados a engrossar as filas do desemprego ou a optar por profissões como vendedor de supermercado.

c ) O terceiro grupo – não mobilizado – é composto por dois sectores. De um lado, os pequenos empresários jogados no desemprego (ver aqui também). Com a quebra dos salários e do poder de compra dos portugueses, os pequenos empresários e seus trabalhadores foram as primeiras vítimas. Do outro lado, o sector da construção civil. Fala-se pouco, mas parece-me que esta crise levou a uma clara substituição da fração da classe burguesa que governa o país. De uma aliança entre a banca nacional e os construtores civis, passámos a ser governados pela aliança entre a banca internacional e os exportadores. Por isso, devemos perguntar onde estão os trabalhadores do sector que mais perdeu com a crise: a construção civil?

Se em alguma coisa os indignados e os sindicatos devem colaborar é pensar como, trabalhadores dos transportes e professores de um lado, e jovens desempregados do outro, devem trazer também para a luta os pequenos empresários e trabalhadores da construção civil. A começar por aqueles que recentemente foram parar ao desemprego.

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17 de Outubro de 2011 - Posted by | Economia, Sociedade portuguesa | , ,

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