Fala Ferreira

Assim me saúdam os amigos de Guatemala.

Indignados à brasileira

Não vi com bons olhos a chegada do movimento global dos indignados ao Brasil. Assisti a tudo isso com dois pés atrás. Por um lado, a crise não é global. O Brasil, como a China ou a Índia, estão num momento expansivo do capitalismo. Ao contrário da Europa e Norte de África que vivem um momento de contração. As características do movimento seriam (e foram) dadas pelas características do momento: sem nenhum aperto claro, incapazes de juntar-se àqueles que vivem permanentemente apertados, o movimento tornar-se-ia e tornou-se um espaço para estudantes divagarem acerca de um mundo sem Estado, sem líderes e sem poder, glosando Negri, Deleuze ou, no melhor dos casos, Foucault.

Por outro lado, a direita não há muito tempo, tinha iniciado uma campanha contra a corrupção. Uma campanha bem paga e sem símbolos, o que levou algumas pessoas perspicazes a dizer: uma campanha paga por aqueles que não querem pagar impostos. O risco do movimento jogar lenha nesta fogueira era elevado. E o movimento jogou. A Veja (revista brasileira que faz o Correio da Manhã parecer um jornal imparcial), publicou um número com o título de capa Dez motivos para se indignar com a corrupção, associando o movimento global àquela campanha de direita.

Obviamente, o movimento já divulgou uma carta de protesto. Mas, como diz um amigo, não será fácil explicar que tomada não é focinho de porco.

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30 de Outubro de 2011 - Posted by | Imprensa, Sociedade Brasileira | ,

1 Comentário

  1. Aqui no Brasil os meios de comunicação fazem o papel de partido de oposição. Em 2005 vieram com um grande barulho contra Lula, sempre o mesmo discurso moralista em defesa da ética, mesmo se sabendo que estes que defendem a ética durante séculos e séculos tem se apropriado do Estado e praticado para seus objetivos particulares.

    No momento estas forças reacionárias se apegam mais uma vez no hipócrita discurso moralista para, mais uma vez, tentar derrubar o governo, como tentaram em 2005 contra Lula. Inclusive se arrepende de, em 2005, não terem derrubado Lula e, por isso, com certeza, desta vez não hesitarão em derrubar Dilma.

    Quanto às “Marchas Anti-Corrupção”, trata-se de um movimento do 1%, esta parte que, como disse, sempre teve o Estado a seu serviço e querem-no de volta. Dia 12 de outubro fui pessoalmente a uma dessas marchas para tirar a dúvida e, lá chegando, vi que quem estava patrocinando a marcha eram partidos de oposição

    Comentar por spin | 8 de Novembro de 2011


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