Fala Ferreira

Assim me saúdam os amigos de Guatemala.

Guerra intercapitalista

A produtividade da análise política pelas suas contradições internas, como comento aqui, aqui e aqui, levou-me a afirmar que o momento atual se carateriza por uma tensão entre, por um lado, a aliança entre os exportadores e a banca internacional (via Bruxelas e FMI, isto é, via troika) e, por outro, a aliança entre a banca nacional e construção civil. Os meus argumentos estão dispersos por aqui (com esta correção), aqui e aqui. E o conflito entre a troika e a banca nacional está visível nos jornais.

Esta oposição está muito clara, nos dias que correm, em dois pontos.

1. O processo de recapitalização dos bancos. A) A necessidade de recapitalização. Segundo a banca nacional trata-se de uma estupidez. Mas como diz um comentador político muito afinado com as intenções da aliança entre a banca internacional e os exportadores, a necessidade de “perdoar” parte das dívidas a Grécia, Portugal, Irlanda, Espanha e Itália, obriga a esta recapitalização preventiva. Trata-se de um jogo de empresta daqui, empresta de acolá, cujo objetivo é levar ao processo de desalavancagem da economia europeia. Obviamente, esta desalavancagem, de acordo com os cânones da banca internacional por intermédio do FMI, imporá condições à banca nacional que ela não está disposta a aceitar. (Curiosamente, o argumento do défice é usado, neste caso, para tentar evitar a recapitalização).

Ao mesmo tempo,  B) debate-se o valor a que essas ações serão compradas agora pelo Estado e o valor a que serão (se forem), mais tarde, vendidas. Já comentei aqui, e vou ficar-me por isto: o Estado avançou com a proposta de comprar e vender as ações aos preços de mercado, mas os bancos querem ser eles a definir o preço. Vamos ver onde nos deixa a evolução significativa do diploma de que fala o Ministro das Finanças. Associado a isto, C) está em discussão a possibilidade do Estado de agirem como um qualquer acionista. A proposta original previa que os bancos seriam obrigados a comprar as ações especiais de volta até ao fim de três anos, sob pena dessas ações passarem a ações normais e darem o poder ao Estado de controlar os Bancos. Segundo proposta do Banco de Portugal esse prazo foi alargado para 5 anos. E, também, se propõem outros modos de recapitalização bancária que permita aos bancos aceder ao capital sem que o Estado venha, algum dia, a ter algum direito sobre os bancos, mesmo que estes não possam devolver a dívida ao Estado.

Nota: Sobre isto ver a posição do PCP  (ver aqui também) que defende i) que os bancos se recapitalizem com capitais próprios e ii) que o fundo de recapitalização seja injetado na economia real via Caixa Geral de Depósitos.

2. Em segundo lugar estão os salários no setor privado. É verdade que os salários em Portugal têm vindo a ser reduzidos paulatinamente. Por outro lado, o corte no subsídio de natal e férias dos funcionários públicos aguça as expectativas de alguns empresários (ver aqui também). A troika enviada pela finança internacional é favorável à medida. Os banqueiros não! Pois como afirmou João Proença, o corte nos salários pode levar, não somente a mais falências de empresas, como a uma escalada do crédito mal parado.

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20 de Novembro de 2011 - Posted by | Sem categoria

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