Fala Ferreira

Assim me saúdam os amigos de Guatemala.

Grécia às portas da revolução

A dois meses das eleições gregas, o “extrema-esquerda” (para usar o termo dos jornalistas), ou mais exatamente os partidos à esquerda daqueles que sempre governaram o país, atingem nas sondagens praticamente os 40% dos votos e podem formar governo. O partido socialista (PASOK), no poder, quase desaparece. E a “extrema-direita”, os partidos à direita da coligação governativa, ficam com menos de 10% das intenções de voto. Se a esquerda não se unir, o mais provável vencedor é o partido liberal atualmente na coligação “de centro” no governo, que leva cerca de 30% das intenções de voto!

Eu sou pouco amigo de apelar para unidade “à esquerda” que, a meu ver, põem fora de debate à estratégia dessa esquerda. É, parece-me, uma inversão do que deve ser, como comentei aqui. As condições concretas da Grécia, a observar pelo impacto da greve de 48, nas ruas e nos deputados, favorecem que se coloque em cima da mesa a retirada do país do Euro e o não pagamento da dívida. O partido comunista (KKE) assumiu claramente essa bandeira. Mas nem todos os partidos à esquerda da coligação governamental fazem o mesmo. O partido Esquerda Radical Syriza afirmou que a Grécia, a sair do Euro, não sairá sozinha: a Itália será o próximo! Isto é, existe na esquerda gente que vê no possível abandono do Euro, não como um objetivo, mas uma ameaça para negociar com a Comunidade Europeia e o governo alemão.

Por outro lado, e finalmente, a negociação de uma aliança agora implicaria um abrandamento da radicalização do processo. O KKE teria de abandonar o seu lugar de vanguarda para acertar o passo com a Syriza. Essa aliança pode ser necessária… mas só depois das eleições!

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14 de Fevereiro de 2012 - Posted by | Europa, Partidos | , , ,

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