Fala Ferreira

Assim me saúdam os amigos de Guatemala.

Argentina: uma hipótese de trabalho

Nunca li Trotsky, mas parece que vou ter de ler. É dito que, já em 1902, Trotsky surpreendeu o movimento comunista internacional afirmando que era mais provável uma revolução na Rússia que não Inglaterra. Apesar de o proletariado estar aí menos desenvolvido, a verdade é que a burguesa também estava. Assim, o braço de ferro era muito menor. Anos mais tarde, Lénin escreveria: o capitalismo parte pelo elo mais fraco.

Assim, a força da esquerda na América Latina – isto é só uma hipótese para pensar – pode dever-se ao “emagrecimento” da elite económica depois das intervenções do FMI. Nesse sentido, uma vez que o FMI levantou arraiais, a esquerda ganhou as eleições. Os governos foram tanto mais de esquerda quanto mais fraca era a elite económica (pense-se em Brasil vs Venezuela ou Argentina vs Bolívia).

Isto coloca dois pontos:

  • Que a esquerda europeia tem de estar atento à dinâmica de emagrecimento (os exportadores estão a crescer, mas a banca e a construção civil estão em apuros, como escrevi aqui) da sua burguesia. Infelizmente, a esquerda continua a olhar para a burguesia como um bloco monolítico, todo preto, ininteligível. De qualquer modo, a radicalização do KKE na Grécia pode ser acertada. Mas é preciso não esperar que os trabalhadores sejam automaticamente de esquerda (de igual modo, é preciso não tomar também esta classe como um bloco homogéneo).
  • Há medida que a conjuntura económica mundial for colocando problemas insolúveis aos países da América Latina (ver o caso do Brasil) os governos podem radicalizar para a esquerda. Foi isso que acabou de fazer a Argentina.
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20 de Abril de 2012 - Posted by | Economia, Mundo | , , ,

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