Fala Ferreira

Assim me saúdam os amigos de Guatemala.

Tanto absurdo

O texto de ontem de Henrique Raposo dá é um bom exemplo. Mas a estratégia já é velha. O mesmo argumento é repetido, mundialmente, para criticar Lenine. Fala de duas esquerdas: uma que queria usar os meios legais e outra que queria usar meios ilegais para fazer política. A segunda ideia é falsa. Lenine sempre falou na combinação de meios legais e ilegais.

Mas, voltando a Portugal, vou dar um exemplo dos meios ilegais usados:

  • Organizar um partido comunista
  • Escrever e distribuir um jornal do partido comunista
  • Organizar e fazer greves
  • E destruir à bomba carros e helicópteros de guerra (a ARA só fez um morto, não intencionalmente, e, por isso, o partido terminou com ela no dia seguinte).

Este maus jornalistas e comentadores políticos (de televisão e de café) esquecem que o que era ilegal há 30 anos é, muitas vezes, legal hoje.

Mas o texto de Henrique Raposo é ainda mais grave. Sem qualquer argumento válido afirma “Álvaro Cunhal não quis o 25 de Abril”. Utiliza três argumentos, sendo o segundo essa da questão da luta legal versus luta ilegal que mostra já o quanto o jornalista é desinformado.

No primeiro, fala do acérrimo combate do PCP a outros movimentos anti-fascistas. Não vou dizer que não houve. Mas dizer que Álvaro Cunhal era contra a unidade antifascista é fazer dele um trotskista… Esse foi um dos pontos de briga entre Estaline e Trotsky. Trotsky recusava qualquer aliança com a classe média como está (creio, ainda só li em segunda mão) no livro “Estaline, o grande organizador de derrotas”.

Raposo reconhece que até aqui apenas especulou. Agora vai a factos: o PCP não controlava as forças armadas! Mas daqui concluir que, por isto, foi contra o 25 de Abril vai um salto mortal. Entre o facto e a conclusão há uma distância tão grande que só uma enxurrada de preconceitos pode preencher.

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25 de Abril de 2012 - Posted by | Ideologia, Portugal | , , ,

1 Comentário

  1. Pior, não tirou essas conclusões depois de ler, de Álvaro Cunhal, “Rumo à Vitória: As Tarefas do Partido na Revolução Democrática e Nacional.”; ou A Revolução Portuguesa: O Passado e o Futuro; ou “A Verdade e a Mentira na Revolução de Abril: A Contra-Revolução Confessa-se”, tirou-as a partir do livro da Zita Seabra … para quê mais comentários.

    Comentar por Rui G. | 25 de Abril de 2012


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