Fala Ferreira

Assim me saúdam os amigos de Guatemala.

O fracasso do governo

Recentes as notícias mostram o fracasso do governo de Passos Coelho e Paulo Portas. Os efeitos recessivos da austeridade tornaram inviável o cumprimento da meta do défice. Aparentemente Sócrates, no seu último trimestre de governo, fez melhor que Passos Coelho no primeiro trimestre de 2012. Passos Coelho, sem dúvida, controlou melhor a despesa do Estado que José Sócrates. Mas o efeito da poupança do maior consumidor do país foi, como não podia deixar de ser, a falência de milhares de empresas. Sejam empresas que prestam serviços ao Estado; sejam empresas que vendem aos funcionários públicos e aos trabalhadores das empresas que prestam serviços ao Estado. Em consequência, o que o Estado cortou na despesa foi menos que o que deixou de receber de impostos.

Inesperadamente para mim, os resultados do governo levaram a uma reorganização da disputa intra-elitista. Como eu tinha afirmado aqui, aqueles que defenderam a austeridade e a vinda do FMI já mostraram sinais de preocupação com tanta austeridade. Recentemente, o representante dos patrões de Portugal alinhou-se com os sindicatos ao afirmar que já chega de austeridade. Mas a grande mudança vem dos bancos. Aqueles que em Março de 2011 ainda eram contra a vinda do FMI, tornaram-se os porta-bandeiras da austeridade. Os bancos, aqueles que acabam de receber do Estado um empréstimo de 7,4 mil milhões.

Ao ouvir os banqueiros portugueses, lembro-me do cantor brasileiro Noite Ilustrada

Ali onde eu chorei qualquer um chorava
Dar a volta por cima quero ver quem dava!

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29 de Junho de 2012 - Posted by | Economia, Portugal | , , ,

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