Fala Ferreira

Assim me saúdam os amigos de Guatemala.

O otimismo de Medina Carreira

Vi hoje, e recomendo, o Olhos nos Olhos de ontem. Medina Carreira teve como convidado Luís Amado. Luís Amado argumenta que a Europa vai no bom caminho, infelizmente de forma muito lenta. Para Medina Carreira os problemas certos nem sequer estão colocados. Mas vendo bem o otimista aqui é Medina Carreira.

Os dois estão de acordo em algo. A crise tem uma causa fundamental e outra mais superficial. A primeira é a desindustrialização da Europa. A segunda a sua desorganização política da qual resulta um euro vulnerável. Mas o desacordo está na ordem com que os dois defendem a resolução destes problemas. Para Medina Carreira, a crise do euro já devia estar resolvida. Os políticos deviam estar a preocupar-se com em negociar com a China a reindustrialização da Europa. Para Luís Amado, a urgência é resolver os problemas internos, do euro, que são complexos – as soluções devem ser legitimadas democraticamente. Até porque (ele não diz, mas depreende-se das suas palavras) o problema fundamental é irresolúvel.

É preciso evidenciar as diferenças de diagnóstico entre Medina Carreira e Luís Amado para entender porquê e até que ponto um é alarmista e o outro é fatalista. Para Medina Carreira, a deslocalização da industria da Europa e EUA para a China resultou da assinatura irresponsável de tratados comerciais liberais. Mas, acrescenta, com o esgotamento do keynesianismo na década de 1970, essa parecia a melhor opção há 30 anos atrás. Luís Amado faz outro diagnóstico. Até 1985, o mundo estava divido em dois; com a queda do Muro de Berlim o mundo unificou-se. A partir de então, começa a gestar-se uma nova repartição do mundo ou, mais exatamente, dos recursos existentes do mundo. O ocidente saiu a perder porque a oriente moram dois terços da humanidade.

Eu partilho mais do pessimismo de Luís Amado do que do otimismo de Medina Carreira. Segundo Medina Carreira, os políticos europeus devem negociar com os chineses o regresso parcial da industria à Europa. Com que argumento? Os chineses só vendem porque os europeus (e norte-americanos) compram. Se todos os empregos que produzem riqueza desaparecerem deste lado do mundo quem comprará aos chineses?

Respondo eu com no meu grande pessimismo: ora, os latino-americanos!!!

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4 de Julho de 2012 - Posted by | Economia, Europa | , , , ,

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