Fala Ferreira

Assim me saúdam os amigos de Guatemala.

Política e abstenção

Nas eleições legislativas de 2011, cerca de 4 milhões de portugueses abstiveram-se. Provavelmente, apenas 3 milhões, uma vez que, a acreditar nestes números, 11% da abstenção se deve à desatualização dos cadernos eleitorais. É comum ver na abstenção um ato político – uma forma de protesto, um ato político contra a política e, em última análise, contra a corrupção. Mas é uma ideia falsa! Não, como dizem alguns, porque a política está fatalmente ligada aos atos eleitorais. Mas precisamente, porque a política não se resume a atos eleitorais, nota-se que a abstenção é apatia! Pois, aqueles que se abstêm, ficam-se por aí. Nenhuma marcha; nenhum abaixo-assinado; nada. Que reclamam os 3 milhões de abstencionistas. Três milhões de coisas diferentes, ou seja tudo e nada!

Tanto a abstenção como a ideia que a abstenção é uma forma de protesto resultam da incompetência política. Isto é, da incapacidade de perceber a utilidade da política. Da incapacidade de distinguir os políticos. Para quem se abstém os políticos são todos iguais! Querem todos o mesmo. Querem? É óbvio que não. Mas a culpa não é dos eleitores.

Nos últimos anos, os partidos do centro não têm feito outro coisa que despolitizar a política. Carlos Abreu Amorim, neste vídeo, é um exemplo disso. Ele acusa o PCP de querer fazer política com o futuro dos trabalhadores dos estaleiros de Viana do Castelo. Já Durão Barroso afirmava que há assuntos demasiado sérios para serem debatidos em campanha eleitoral.

É assim que o centro defende os lobbies! Transforma a política num circo. As decisões sérias toma-se nos corredores de S. Bento com os amigos! E os eleitores fazem-lhes a vontade. Abstêm-se, porque os políticos “são todos iguais”. É verdade que há alguns, como os deputados do PCP, que não querem brincar de palhaços. Mas esses não são políticos sérios.

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26 de Julho de 2012 - Posted by | Ideologia, Portugal | , ,

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