Fala Ferreira

Assim me saúdam os amigos de Guatemala.

Desempregados não pagam dívidas

Alguns números da crise, mostram o abismo social em que Portugal se encontra. O mais grave é a evolução recente da dívida. Entre março e julho de 2012 o Estado pagou 7 mil milhões de euros (apenas 3% da dívida pública total). Mas só o pode fazer à custa da destruição da capacidade produtiva do país. 17 empresas encerraram por dia em Portugal durante o primeiro semestre. Consequentemente, a dívida em percentagem do PIB, isto é, a dívida tal como ela conta, cresceu de 129% para 136%.

Realmente, o Estado não é uma casa. O que faz uma família com o seu dinheiro é independente de quando ganha. Mas o Estado é sempre o maior consumidor do país. Quando corta nas despesas leva empresas à falência; e quando corta às cegas o que perde em impostos pode anular o que poupou na despesa. O que Passos Coelho poupou não pagando aos funcionários públicos deixou de receber em IVA.

O Estado é um grande consumidor: consome metade da produção nacional. Quando deixa de consumir 4% (o objetivo de redução do défice para 2012), as empresas deixam de vender, em média, 2%. No entanto, o corte nunca é em média: como o Estado “consome” mais uns produtos que outros, uns sectores são mais afetados que outros. Assim, o principal sector afetado foi a construção civil (obras públicas) e em seguida o comércio (com o corte dos subsídios de férias e natal da função pública). Deste modo são as empresas de construção que mais entram em falência e mais contribuem para o aumento dos números do desemprego. Consequentemente, as empresas não deixam de vender apenas aquilo que o Estado deixa de comprar; deixam de vender também aquilo que os novos desempregados deixam de comprar. O efeito negativo, sobre a economia, do corte na despesa do Estado multiplica-se com o desemprego.

O contrário é igualmente verdadeiro: uma boa despesa do Estado, capaz de gerar emprego, pode ver o seu impacto na economia multiplicado e, assim, pagar-se a ela mesma. Nessa caso, mais que uma despesa, é um investimento.  É por isso que é incorreto dizer que a causa da crise foi que o Estado gastou demais. A verdadeira causa da crise foi que o Estado investiu mal (ver aqui também)!!!

O desemprego não é um mal necessário para equilibrar as contas do Estado.

O emprego e o desemprego multiplicam a ação do Estado sobre a economia!

A criação de emprego devia, portanto, ser o primeiro indicador do sucesso da política do governo e do FMI!

Desempregados não pagam dívidas.

Anúncios

28 de Agosto de 2012 - Posted by | Economia, Portugal | , ,

Sorry, the comment form is closed at this time.

%d bloggers like this: