Fala Ferreira

Assim me saúdam os amigos de Guatemala.

O tabuleiro da direita

Se a política pode ser comparada a um jogo de xadrez, posso afirmar que a esquerda tem jogado no terreno da direita.

Uma classe dominante pergunta altissonante o que deve o país fazer? De um passo, reduz as classes ao país! Sair do Euro? Ficar? Não pagar a dívida? Lançar um segundo Plano Marshall? As classes ficam subsumidas no debate. As classes dominadas já perderam porque não põe em cima do tabuleiro a sua dominação. Seja qual for a solução, serão sempre os dominados a pagar os custos e os dominantes a arrecadar os proveitos.

A primeira coisa que uma vanguarda revolucionária – ou, mais exatamente, qualquer um que pretende sê-la – deve fazer é perguntar-se qual a situação de classes existente. Lénin levou anos a compreender a situação de classes da Rússia, antes de propor a aliança operária-camponesa como motor da Revolução. E não obstante da necessidade de análises detalhadas, podemos começar vendo que uma classe pode ocupar quatro posições distintas: dominante; dominada em refluxo; dominada em acumulação de forças; em situação revolucionária. A crise de 2008 fez a classe trabalhadora passar da segunda posição para a terceira.

Assim, a pergunta da esquerda deve fazer não é se Portugal deve sair do euro. Nem se deve deixar de pagar a dívida pública. Mas sim, como vamos acelerar o processo de acumulação de forças.

Anúncios

28 de Agosto de 2012 - Posted by | Partidos, Portugal | , ,

2 comentários

  1. Simplificando – muito! – e admitindo sossegadamente que nós, os explorados, vivemos uma situação de acumulação de forças, a resposta à interrogação colocada no final é, de facto, relevante. Tanto mais que a expressão tem leituras/respostas muito diversas, consoante o país/continente no qual nos situemos – para não irmos mais longe, p.ex., em Portugal ou no Brasil. Vamos, então, procurar responder à questão?
    Saudações!

    Comentar por Julio Filipe | 31 de Agosto de 2012

    • Amigo Júlio

      Devo-lhe uma resposta. Mas essa resposta merece ser dada num novo texto que, de facto, repete argumentos de outros anteriores. Por um lado, é preciso ultrapassar essa simplificação. Para isso é necessário fazer uma análise da relação entre classes cujo equilíbrio de forças é, a meu ver, mantido pela relação entre frações de classe.

      Por outro lado, é a relação entre as classes e as suas frações que determina o caráter nacional da política. Brasil e Portugal assemelham-se porque, num e noutro, a tensão política dominante é entre burgueses e trabalhadores. Distinguem-se por duas razões: a) aqui existem classes rurais (camponeses, capitalistas agrícolas, trabalhadores rurais); e b) as frações que compõem as classes são radicalmente distintas.

      Assim, o que lhe posso prometer para breve é uma análise das frações da classe trabalhadora em Portugal. De certo modo, isso está feito aqui.

      Mas acima de tudo, quero agradecer-lhe o comentário. É sempre bom saber que se é lido.

      Abraço

      Comentar por Jose Ferreira | 4 de Setembro de 2012


Sorry, the comment form is closed at this time.

%d bloggers like this: