Fala Ferreira

Assim me saúdam os amigos de Guatemala.

Sobre a iminente queda do governo

As palavras de Cavaco e Silva hoje expressão o entendimento recente entre o CDS e o PSD. Quantos meses durará este entendimento? A pergunta já está mal feita porque sua duração não se medirá em meses, senão em semanas ou mesmo dias. Em primeiro lugar, porque a rutura política é apenas uma manifestação de uma rutura mais profunda entre os agiotas e os exploradores. De um lado, a troika, em representação da banca internacional e de mãos dadas com a banca nacional. Do outro, a SONAE/Continente e todos as empresas não financeiras em Portugal, em especial aquelas que dependem do mercado interno.

A unidade política aparente só se justifica por duas razões. Em primeiro lugar, o sentido de classe da burguesia. Não é por acaso que todos falam em evitar uma crise política. Assim, o sucesso deste arranjo de comadres será julgado no próximo dia 29 de setembro na manifestação convocada pela CGTP. Em segundo lugar porque o anuncio das principais medidas do Orçamento do Estado para 2013 deu lugar a um trabalho por baixo dos panos para acertar agulhas entre as elites. À medida que nos aproximarmos da votação do OE, a disputa tornará a subir de tom e mostrará quão frágil é este arranjo. Por isso mesmo, é imprescindível que a CGTP termine a manifestação de dia 29 com a convocação de uma Greve Geral que coincida com o debate do OE na Assembleia da República.

E se até 7 de setembro era inconsequente falar na demissão do governo, hoje exigir a sua demissão separa a esquerda da direita.

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21 de Setembro de 2012 - Posted by | Economia, Partidos | , , , ,

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