Fala Ferreira

Assim me saúdam os amigos de Guatemala.

O papel do PS hoje!

Se o objetivo da esquerda é derrubar o governo, o PS é o fiel da balança. Argumenta-se que o PS representa a burguesia. E representa: o passo atrás de José Seguro em relação a moção de censura e o passo atrás de João Proença em relação à greve geral visam claramente impedir a radicalização da luta em marcha. De qualquer modo, é impensável exigir o derrube do governo sem envolver, se certo modo, o PS nos protestos. Não tem sentido exigir que uma cadeira fique vaga quando o mais provável futuro ocupante se recusa a ocupar. Pensar outra coisa é fazer a análise da conjuntura política pela metade.

Não obstante, é preciso colocar a queda do governo com objetivo tático e imediato da esquerda. Os movimentos de massas não só o possibilitam como até o exigem. E se José Seguro obtiver o governo por este caminho será obrigado a governar contra os motivos porque foi eleito. Ficam dadas as condições para que o deslocamento de votos do PASOK para o Syriza se repita em Portugal. (Motivo que certamente pesa nas decisões de Seguro e Proença). Ao mesmo tempo, a mudança de governo poderá ser o único modo de voltar a ter um governo legítimo. É certo que os protestos atuais poderão vir a ser vencidos pelo cansaço! De todos os modos, todas as medidas tomadas, daqui para a frente, por Passos e Gaspar terão pouca credibilidade e, por isso mesmo, terão pouca eficácia.

Daí que também os dirigentes socialistas sejam obrigados a uma gincana. O seu papel na corrida de estafetas entre o PS e o PSD, que vão se alternando no governo dando a impressão que tudo muda para que nada mude de facto, está em risco. Nunca foi tão necessário mudar de governo; mas é possível que seja esta a última vez que a burguesia tem esse trunfo. Além do mais, a base do PS tende a vir com a esquerda contra o governo de Passos Coelho. Se a direção do partido insistir em apoiá-lo poderá desligar-se da sua base. As duas tensões se sobrepõem. De uma maneira ou de outra, é provável que o PS saia daqui desfeito em cacos.

Portanto, explorar estas contradições é a tarefa imediata da esquerda. Por um lado, não pode recuar um milímetro na exigência da queda do governo e no repúdio da troika. Por outro, não pode descolar-se um milímetro da base do PS. Em grande medida o PCP e o BE acertaram ao recuperar a moção de censura (aqui e aqui a resposta do PS), assim como a CGTP acertou ao avançar com uma greve geral (aqui também) que, fazendo-se mesmo sem a UGT, não pretende deixá-la de lado.

Não obstante, o equilíbrio é difícil. Nada convinha tanto ao PS como ser hostilizado pela esquerda, sob o pretexto de “denunciar a sua verdadeira face”. Ser empurrado na direção do governo é tudo o que José Seguro quer. Culpar o PCP e o BE por não lhe darem alternativa é o que ele busca. Levar com ele as bases do PS e a possibilidade de derrubar o governo é o seu maior interesse!

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2 de Outubro de 2012 - Posted by | Partidos, Portugal | , , , , , ,

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