Fala Ferreira

Assim me saúdam os amigos de Guatemala.

O miserável PS II

Ontem, não sei porquê, passei o dia convencido que a reunião da Comissão Política Nacional do Partido Socialista era hoje. Mas não, foi segunda-feira passada. Os resultados são absolutamente contraditórios. Por um lado, o PS diz que está preparado para governar. Por outro, volta a trás, e mostra-se disponível para dialogar com o PSD acerca dos cortes no Estado Social. Um verdadeiro ‘vamos a ver’ (uma quase abstenção violenta) substituiu o redondo não da véspera.

Se, como eu sonhei ontem, a reunião fosse hoje, as declarações de segunda-feira seriam preparatórias! Sendo, na verdade, conclusões da reunião, então a montanha pariu um rato. Ao preparar-se para dar o dito por não dito acerca do Estado social, mais uma vez, Seguro é o arame que ainda segura o governo. Ou, como parece ter dito João Salgueiro na Sic Noticias, “este governo só não cai porque ninguém quer ir para lá!”.

De qualquer modo, a afirmação de que o PS está preparado para governar, é igualmente sinal que a direção do Partido “Socialista” têm cada vez menos capacidade de segurar as suas hostes que desejam derrubar o governo. Aqui a bancada parlamentar, escolhida por José Sócrates, tem sido a fonte de oposição interna às manobras conciliadoras da direção. (Vale sempre lembrar que, depois de um mês de setembro de dura contestação ao governo, José Seguro lançou a ideia de reduzir o número de deputados. Uma isca para que a esquerda atacasse o PS e desse uma folga ao governo. Mas, logo de seguida, o líder da bancada parlamentar veio sabotar a estratégia). Por quanto mais tempo Seguro pode segurar esta situação?

É óbvio que não convém ao PS ir a eleições agora. Nada pior que ser eleito contra a troika (isto é, no bojo da contestação social de uma manifestação com o lema “Que se lixe a troika! Queremos as nossas vidas de volta”) e depois ter de governar com a troika. Nada pior que um partido que se “distingue” pela defesa do Estado social (na teoria, não na prática) ter que implementar a destruição do Estado social (a troika acaba de chegar a Portugal para fazer os seus estudos, mas o calendário de cortes, segundo este vídeo, será apresentado apenas em fevereiro). De qualquer modo, o PS tem de cumprir a sua função como partido: não pode assistir à degradação do PSD impávido e sereno sem ver igualmente deteriorada a sua credibilidade. Tem – e as suas hostes começam a exigi-lo – de fazer qualquer coisa!

Também é óbvio que às elites não interessa eleições. Uma campanha eleitoral tem sempre custos e de dois tipos: o financiamento dado pelas empresas aos partidos e, mais importante, a instabilidade social gerada pela campanha eleitoral. Por estas razões, na noite de 6 de junho de 2011, Van Zeller afirmou que seria bom para Portugal que o governo durasse os quatro anos devidos. (Carvalho da Silva riu-se). Não obstante, a política do governo está a gerar uma instabilidade social muito grande. Está na hora de medir os “custo de oportunidade”. Espero que a greve geral daqui a uma semana dê um empurranzinho.

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7 de Novembro de 2012 - Posted by | Partidos, Portugal | , , , ,

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