Fala Ferreira

Assim me saúdam os amigos de Guatemala.

Previsões para 2013

Disse Marx “toda a história é a história da luta de classes”. Ele quis dizer que os conflitos sociais são o motor da história. Já, por diversas vezes, tentei escrever neste blog a “natureza” desses conflitos. Mas ainda não consegui fazê-lo de modo satisfatório. Não passei ainda além deste texto incompleto. Não obstante, o objetivo aqui é apontar os nós do desenrolar político do próximo ano, ou seja, os seus conflitos essenciais.

1. O contexto nacional não sofrerá alterações estruturais. Mas a atual correlação de forças poderá encaminhar-se par o ponto de rutura. O Estado continuará a sugar a economia real para manter uma banca ligada às máquinas. Enquanto isso, os empresários (industriais e comerciais) dividem-se entre o protesto e a certeza que nada mudará sem apoio da Comissão Europeia. Como este último grupo – até pela aliança ténue com a banca – é mais poderoso, teremos uma elite à espera… Que discute com base em suposto falsos (ver aqui também) para ganhar tempo. E que toma medidas que não são para cumprir. À espera que a “Europa” mude de opinião.

Este lugar em falso da elite nacional ficou claro recentemente, quando o governo deu o dito por não dito, depois de ter visto o Eurogrupo recusar a Portugal as condições de empréstimo que ofereceu à Grécia. E poderemos ter uma certeza: manobras em falso deste tipo vão continuar a aparecer. A consequência óbvia será o agravar da desmoralização – e da distância – entre o governo e os eleitores. Mas não só: na medida em que não aparecem alternativas políticas (na medida em que a elite não tem alternativas reais), a descrença se estenderá do governo a toda a elite. Já aqui se disse como o PS se tornou o melhor amigo do governo ante os ataques dos partidos de esquerda e do protesto popular. A direção de José Seguro continua a defender o governo (ver aqui também) até dos ataques liderados por Mário Soares.

As eleições autárquicas abrem múltiplos cenários. 1) Poderá reduzir a contestação social na medida em que pulverizará as massas pelos diferentes partidos. Ou 2) poderá ter o efeito contrário na medida em que as massas são politicamente ativadas pelos partidos. Ou, finalmente, e como resultado do anterior, 3) criará uma espécie de energia política (2) que não se pode empregar nos canais políticos tradicionais (1)… e a violência será usada como escape. O que é certo é que depois das eleições autárquicas existirá bastante “energia política” no ar para retirar Passos e Gaspar do governo. Lembremos que a manifestação de 12 de Março foi organizada no bojo de uma campanha para eleições presidenciais.

Às consequências económicas do aumento brutal de impostos (que vai falhar), vem somar-se a incerteza política. Num clima assim, a incerteza irá desaconselhar o investimento. E como o investimento chega, numa economia normalizado, a representar 50% do consumo (bens intermédios) pode prever-se o efeito que a falta de investimento terá sobre as vendas das empresas já existentes. Será um ano ainda mais desastroso do que o governo espera, seguido de outro de eleições legislativas!

– continua –

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10 de Dezembro de 2012 - Posted by | Economia, Portugal | , , ,

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