Fala Ferreira

Assim me saúdam os amigos de Guatemala.

Car@s pobrezinh@s

O João Vilela escreveu isto no Facebook. E merece ser divulgado.

Car@s pobrezinh@s,

Sinto que vos é devida uma explicação pela vossa pobreza. Vocês já imaginaram como seria o mundo se vos déssemos dinheiro? A quantidade de roupa fluorescente que para aí haveria? O número interminável de terços que teriam de ser feitos para trazer ao pescoço? Quantos argolões para as meninas e brincos de brilhantes (aliás, de “brilhãotes”) para os rapazes teria de ser fabricados? O mundo tem recursos limitados, e um dos mais escassos é a tolerância ao mau gosto, pobrezinh@s. Se vos déssemos, por exemplo, um carro – quanto tempo demorariam vocês a quitar-lhe o motor, a pôr-lhe vidros fumados, aileron na traseira, ledz e demais merdas a toda a volta, um avental a raspar no asfalto? Se porventura vos déssemos uma casa – querem convencer que não lhe punham uma marquise, azulejos na fachada com a fronha do Sto. António, que não estendiam roupa na janela, (sim, Dª Felismina, até as cuecas), e decoravam o interior com paninhos, rendinhas, bonecada de loiça, designadamente o mítico pinguim, instalado num naperon, em cima do frigorífico? Escusam de negar, todos sabemos que sim. E que usariam LCDs para ver a Casa dos Segredos. E as funcionalidades do Meo para rever jogadas do Porto-Benfica e discutir se era penalte ou não era penalte (porque vocês, pobrezinh@s, diriam penalte, nunca penálti). É pois para vosso próprio bem, por cortesia e visando evitar-vos a má figura, que vos retemos a riqueza que vocês produzem e a gastamos nos nossos charutos, nos nossos Mercedes, e no conjunto de coisas que nós sabemos apreciar e que vocês, com dinheiro, jamais apreciariam. Por isso, pobrezinh@s, nada de manifs e greves. Voltem à sanzala, que a riqueza é, antes de mais, uma extensão natural do bom gosto. Com o muito amor com que vos dou esmola aos domingos depois da missa, despeço-me com caridade.

Ass. Um Jovem Empreendedor

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12 de Dezembro de 2012 - Posted by | Ideologia, Portugal | ,

1 Comentário

  1. Claro que merece! Nem eu, assim, tão pobrezinha, lhe resisto! Levo!

    Comentar por pequenasutopias | 12 de Dezembro de 2012


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