Fala Ferreira

Assim me saúdam os amigos de Guatemala.

Previsões para 2013 (2)

Aqui escrevi que a elite portuguesa, em 2013, continuará esperando para ver. Nada de significativo acontecerá nas opções de política macro-económica e, se houverem eleições legislativas, será apenas uma tentativa de re-legitimar essa elite aos olhos da população. O arranjo de frações da classe burguesa, que esteve em causa com a eleição de Passos Coelho, manter-se-á o mesmo. Passo agora aos aspetos internacional e europeu.

A disputa entre keynesianos e neoliberais será a batuta do discurso. Ainda hoje o FMI veio condenar a política alemã. Mas não existem sinais de que a Alemanha e, consequentemente, a Comissão Europeia estejam disponíveis para mudar de política. Tudo depende, a meu ver, de como o sector industrial alemão – que perde mercado no sul da Europa – enfrentar o sector financeiro que, alimentando-se das elevadas taxas de juro da dívida pública dos países do sul da Europa, comanda agora o governo de Berlim. Depende também da estabilidade do euro e da Zona Euro. Mas enquanto os empresários alemães puderem exportar para os BRICs e o colapso da Zona Euro não for iminente, a política alemã se manterá pese à pressão mundial por uma orientação mais keynesiana. (Aqui um texto sobre a dificuldade da Zona Euro adotar uma postura mais keynesiana).

A disputa séria vai ser pela calada. Seja com os quantitative easing dos EUA, seja com a má gestão da Zona Euro, o dólar e o euro vão continuar a desvalorizar. Em resposta, os países do resto do mundo – e em particular os BRICs – vão responder com medida de desvalorização da sua moeda. Ou seja, 2013 será um ano de guerra cambial, cujos efeitos devemos aguardar para ver. No Brasil, que conheço melhor, a desvalorização do ‘real’ é feita à custa do abaixamento dos juros, o que está a deixar a banca internacional com os cabelos em pé contra o governo. Esperemos para ver os efeitos políticos disto. O segundo aspeto a ter em conta será o comportamento da economia global. Quanto menor o crescimento, maior a briga por mercado e mais forte a guerra cambial e suas consequências políticas.

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26 de Dezembro de 2012 - Posted by | Economia, Mundo | , , , , ,

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