Fala Ferreira

Assim me saúdam os amigos de Guatemala.

Golpe cipriota

Como em todo o lado, os programas de austeridade visam colocar os trabalhadores e a burguesia não financeira a tapar o buraco criado, na banca, pela especulação imobiliária. No Chipre não foi muito diferente! A diferença é, não obstante, significativa. Nos restantes países, o assalto foi em primeiro lugar aos trabalhadores. A burguesia não financeira foi realmente prejudicada na medida em que os trabalhadores deixaram de consumir aquilo que eles produzem. No Chipre foi diferente: ao capturar parte dos depósitos bancários e transformá-los em capital dos bancos. O roubo é, antes de mais, feito à burguesia não financeira. É certo que os trabalhadores têm parte dos seus salários e poupanças depositadas. Mas compare-se com uma empresa com 100 trabalhadores que vai perder até 40% do seu fundo de maneio, isto é, do dinheiro que usa para antecipar a compra das matérias-primas e repõe quando vende?

Sem deixar de levar em conta os disparates na gestão da crise, bastou ir diretamente ao bolso da burguesia para começarem a afirmar que a austeridade punha em causa a existência do euro. Até a própria esquerda o disse! (Aqui também).

Nota: Não se deve esquecer que, entre 2003 e 2008, o Chipre cresceu acima da média europeia. A crise cipriota deve-se, em primeiro lugar, à pequenez da economia e, portanto, da capacidade financeira do Estado lidar com a crise. Em segundo lugar, ao facto da atividade bancária (simplificando muito) se basear em captar dinheiro russo e emprestá-lo aos gregos. Não por acaso a crise cipriota começou exatamente com o perdão de 50% da dívida grega. Veja-se aqui.

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31 de Março de 2013 - Posted by | Economia, Europa | , ,

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