Fala Ferreira

Assim me saúdam os amigos de Guatemala.

O PT e Marco Feliciano

Sabe-se que o sistema político brasileiro obriga o partido vencedor a dividir cargos no governo com outros partidos da sua base aliada. Sabe-se também que, no primeiro ano de governo, o partido vencedor tenta ficar com o maior número possível de cargos para ir cedendo ao longo do mandato. E, finalmente, que a maioria das cedências se dão no ano pré-eleitoral.

O que é curioso (e indicador de uma tendência societária mais profunda) é comparar dois escândalos: um no primeiro ano de governo; outro recente. No primeiro, o PT açambarcou mais um ministério. No segundo cedeu, por omissão, uma comissão da Câmara dos Deputados. No primeiro foi o Ministério do Desporto, surripiado ao PC do B depois de denuncias de corrupção. O segundo foi a Comissão de Direitos Humanos (os deputados do PT, que então presidiam à comissão, faltaram a reunião onde se elegeria o novo presidente da comissão) que foi engolida por um partido da “bancada evangélica”, elegendo como seu presidente um pastor racista e homofóbico (ver aqui também).

Como se vê por aqui, esse deslocamento social conservador da política brasileira está bem encaminhado. Até porque, na minha opinião, ele apenas acompanha o mesmo deslocamento na sociedade.

Nota 02/4: no mesmo sentido deste último parágrafo, foi publicado hoje um texto de Vladimir Safatle na Folha de S. Paulo. Curioso é a omissão de qualquer referência ao seu partido, o PT.

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1 de Abril de 2013 - Posted by | Brasil, Ideologia | ,

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