Fala Ferreira

Assim me saúdam os amigos de Guatemala.

Sobre a demissão de Vitor Gaspar

Há muito, desde pelo menos de março, que a elite portuguesa está convicta de que a política de austeridade se esgotou (foi um equivoco, segundo uns; ou cumpriu o seu papel, segundo outros). Agora é necessária uma nova fase. O problema, já o disse, foi o desacordo do governo alemão… Apesar das crítica não apenas do FMI, como também da Comissão Europeia.

Vitor Gaspar, pela sua afinação ideológica com o governo alemão, representava – aos olhos de todos; não um mandatário de facto – a imposição germânica na política portuguesa. A sua queda pode significar duas coisas:

  1. O governo alemão reconheceu o seu equívoco e prepara-se para mudar de política. Portanto, Vitor Gaspar perdeu a sua “utilidade” de garantir a afinação entre os governos lusitano e germânico.
  2. O governo alemão está cada vez mais isolado na UE e só manda porque é o dono do dinheiro (ou, mais exatamente, aquele que mais tem beneficiado com a divisão social do trabalho dentro da UE).

Contudo não celebro a saída de Vítor Gaspar. Nem, no entanto, a sua política. Ao contrário de Luís Filipe Scolari, este quase estrangeiro não conseguiu meter ordem no balneário que é a economia portuguesa. As Parcerias Público-Privadas permanecem intocadas e os seus custos transferidos para o setor privado (as incontáveis falências). Além disso, os direitos dos trabalhadores (saúde; educação e pensões de reforma) foram cortados para manter estes direitos dos capitalistas.

Enquanto a elite não conseguir transformar o capitalismo, irá ora dando um passo à esquerda (aumentando a despesa pública com o desemprego e o investimento) ora à direita (cortado na despesa do Estado com investimento e transferência de riqueza) sem chegar a soluções de facto. A elite viverá indecisa entre ajustar as contas públicas com a destruição da economia e aumentar a despesa pública para a economia não morrer. As duas coisas só são possíveis, no capitalismo, com um crescimento do PIB superior a 5%… coisa que hoje, a elite política e económica, não sabe (ou melhor, não tem) como fazer.

Acredito que somente podemos sair deste impasse com soluções vindas de baixo, impostas por trabalhadores e pequenos patrões quase proletarizados (pelas especificações impostas por um único cliente – algum centro comercial). Soluções onde o lucro deixe de ser critério único de funcionamento da economia; onde as necessidades – e não a procura – sejam o fiel da balança do sistema económico. Solução que, portanto, exige uma sociedade nova! A ela chamam-lhe o que quiserem; eu, por velhos hábitos, chamo-lhe socialismo.

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1 de Julho de 2013 - Posted by | Economia, Partidos, Portugal | , , ,

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